Brasília - Na tentativa de impedir que o governo controle as investigações sobre irregularidades no uso dos cartões corporativos, a oposição iniciou ontem uma ofensiva para derrubar a criação da CPI proposta pelo líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR). No lugar da investigação patrocinada pelo Planalto, senadores do DEM e do PSDB decidirão sobre duas outras alternativas: apoiar a CPI Mista, cujas assinaturas de apoio estão sendo colhidas pelo deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), ou propor uma nova comissão que tenha como fonte relatórios do Tribunal de Contas da União (TCU) e do Siafi (Sistema Integrado de Administração Financeira).
A segunda opção, no entender do líder democrata, José Agripino (RN), inibe a manobra do Planalto de incluir o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso na apuração ''com o intuito único de conturbar a investigação''. Ele especificou que, nesse caso, os trabalhos só se estenderão ao governo anterior, se houver suspeitas nos dados divulgados pelos dois órgão naquele período.
Para Agripino, o requerimento de Jucá é anti-regimental porque propõe uma CPI retroativa a 1998 e por não dispor de um ''fato determinante'' para aquele período. É assim chamado regimentalmente a irregularidade ou fato que justifique a criação de comissões parlamentares de inquérito (CPIs). ''Querem buscar no passado, suposições para contaminar uma CPI presente''.
A iniciativa de propor a criação da CPI Mista ou da CPI da oposição decorre da determinação do presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), de rejeitar os enxertos feitos à mão por Romero Jucá no requerimento de criação da comissão. Como a oposição protestou, Garibaldi pediu ao líder governista que apresente outro pedido, devidamente assinado, especificando que dará prioridade ao pedido que chegar primeiro. Ou seja, leva a paternidade da CPI quem for mais ágil na coleta de assinaturas. Jucá afirma que será ele. ''A oposição está sem rumo. Na segunda-feira, vou mandar uma bússola para os senadores da oposição'', provocou o líder, único integrante da base aliada a defender o governo no debate que tomou conta ontem do plenário.
Já o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) trabalhou para coletar assinaturas para a CPI Mista. Só no plenário, ele obteve seis. Sobre a CPI proposta pelo líder governista, defendeu tratar-se de ''uma geléia geral que chegará a lugar nenhum'', dada à sua abrangência. ''Defendo uma CPI que investigue denúncias conhecidas desde quando foram criados os cartões, em 2001, no governo de Fernando Henrique. Mas não podemos estimular a geléia geral cuja intenção é a de confundir e atrapalhar a investigação'', disse.
Dias chamou de ''síndrome de FHC'' o hábito do governo Lula de estender ao governo anterior todas as investigações de que é alvo. ''Há uma fixação irresistível, uma atração fatal, uma espécie de síndrome'', disse, afirmando que igual procedimento ocorreu em todas as CPIs realizadas no governo Lula, como a do Banestado, dos Bingos, dos Correios e da crise área.

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