Oposição tenta criar CPI do Lula no Senado
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quarta-feira, 19 de abril de 2006
Eugênia Lopes<br>Agência Estado 
Brasília - Mal terminou a CPI dos Correios e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) transformou-se no principal alvo da oposição no Senado com o pedido de criação de uma nova Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). O senador Almeida Lima (PMDB-SE) protocolou ontem, junto a Mesa do Senado, requerimento com 34 assinaturas para a instalação de CPI para investigar a família de Lula e as relações do presidente da República com o presidente do Sebrae, Paulo Okamotto. Batizada de CPI do Lula, os oposicionistas reconheceram que a nova Comissão tem por objetivo desgastar o governo federal e que dificilmente irá à frente em um ano eleitoral.
O Palácio do Planalto enfrentará dificuldades caso queira brecar o funcionamento da CPI do Lula. Afinal, dos 34 senadores - 12 do PSDB, 13 do PFL, cinco do PMDB e três do PDT e um do PSol - que assinaram o pedido, nenhum é aliado ao governo. Para a criação de uma CPI no Senado são necessárias 27 assinaturas. O requerimento de Almeida Lima lista cinco fatos que serão apurados pela CPI, no prazo de seis meses. É uma lista de supermercado e não uma CPI, resumiu a líder do PT no Senado, Ideli Salvati (SC). Há uma conexão entre os fatos a serem apurados. Mas se o governo quiser, podemos criar cinco comissões de inquérito, rebateu Almeida Lima.
Apesar de terem assinado o requerimento para a criação da CPI, os senadores de partidos de oposição não apostam no sucesso da nova Comissão. É preciso ter muita cautela para não correr o risco de perder o foco sobre os fatos. Muitos dos fatos listados já estão sendo investigados pela CPI dos Bingos e pelo Ministério Público, observou o líder do PFL, senador José Agripino Maia (RN). Não fomos eleitos para sermos delegados de polícia, ponderou o líder do governo no Congresso, senador Fernando Bezerra (RN).
As 34 assinaturas do requerimento seriam conferidas ontem pela Mesa Diretora do Senado. O pedido seria, então, lido pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e depois publicado no Diário do Congresso. Os senadores podem retirar suas assinaturas e, dessa forma inviabilizar a criação da CPI, até a meia-noite do dia que antecede a publicação do requerimento.


