Oposição tenta criar CPI de Santo André
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 11 de março de 2004
Agência Estado 
Brasília - O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), protocolou ontem um requerimento de criação da comissão parlamentar de inquérito (CPI) de Santo André, no Grande ABC (SP), apoiada por 27 senadores. A CPI destina-se a investigar ''as circunstâncias'' da morte do prefeito Celso Daniel e o suposto esquema de caixa-dois que serviria para financiar campanhas do PT. O vice-presidente do Senado, Paulo Paim (PT-RS), disse que lerá o requerimento na sessão de hoje, após a secretaria-geral conferir as assinaturas dos senadores. Feito isso e após a publicação do texto no ''Diário do Senado'', fica criada a comissão de inquérito. Os governistas devem repetir o gesto de não indicar os representantes na CPI para tentar torná-la inviável.
''Não dá para esconder algo que está tão evidente para a opinião pública'', afirmou o líder, da tribuna, referindo-se às denúncias sobre o suposto esquema de corrupção na prefeitura da cidade do Grande ABC. Virgílio disse que, se o caso envolvesse uma administração tucana, haveria no Senado um carnaval fora de época. ''Seria um carnapetismo'', ironizou.
Para o líder, o PT precisa acabar com ''a falácia de que as galáxias irão se chocar e o universo acabar, se for investigada a corrupção dentro de seu governo''. ''Se nada houver, ótimo, as acusações caem. Se houver, os responsáveis devem ser responsabilizados e o governo continua a governar'', previu.
Antecipando-se ao que deve ocorrer com essa CPI, ele provocou: ''Tomara que o governo não tenha medo do episódio de Santo André, como tem pavor de investigar o caso Waldomiro Diniz.'' Ele e os colegas da oposição sabem que, dificilmente, a CPI sairá do papel porque o empenho do governo para fazê-la inexequível deve ser o mesmo que enterrou a CPI dos bingos.
Virgílio começou a colher as assinaturas para a CPI em 2003. Em dezembro, contabilizava 25 e, aparentemente, não se mostrava propenso a levar a iniciativa adiante. Foi estimulado pelo bate-boca ocorrido ontem na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), na votação dos recursos para ressuscitar a CPI dos bingos, quando o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) perdeu a calma. Jereissati exaltou-se ao escutar, mais uma vez, o líder do governo, Aloizio Mercadante (PT-SP), batendo na tecla sobre o que o PSDB e o PFL deixaram de fazer quando eram governo. ''Os partidos não fizeram indicação para dez CPIs e três comissões de inquérito não foram iniciadas, apesar das indicações'', cobrou o petista.
Jereissati protestou: ''Estou cheio dessas ameaças. Agora, nós, do PSDB, é que queremos a CPIs do SUS (proposta pelo ex-líder Tião Vina, do PT do Acre) e ele, se for homem, vai ter de assinar as CPIs de Santo André e a do Waldomiro.''
Mercadante acredita não ter estimulado essa CPI. Segundo ele, há cerca de dez dias, o líder tucano havia lhe dito que apresentaria essa CPI. ''A CPI é democrática, é legítima. Faz parte da disputa política. Mas, novamente, estão pegando um episódio de dois anos atrás, profundamente investigado pelo Ministério Público (MP) e pelo governo de São Paulo'', alegou.


