Brasília - Em meio a manobras da oposição para atrasar os trabalhos, o Senado tenta votar a MP (medida provisória) que concede ao presidente do Banco Central o status de ministro e foro privilegiado para responder eventuais contestações judiciais. As projeções feitas tanto pelo governo quanto pela oposição indicavam que a medida deveria ser aprovada com uma margem apertada.
Cientes de que não deveriam ter os votos necessários para derrubar a medida provisória, PSDB, PFL e PDT tentavam atrasar os trabalhos, se inscrevendo para fazer discursos. O objetivo era tentar esvaziar o plenário. A MP tem de ser votada até hoje, senão perderá a validade e irá para o arquivo. Nas contas da oposição, ela teria de 33 a 35 votos. O quórum no plenário no início da noite era de 72 senadores.
A medida provisória que concedeu status de ministro ao presidente do Banco Central foi editada em meio a denúncias contra o atual presidente da instituição, Henrique Meirelles. Ele foi acusado de evasão de divisas e sonegação fiscal.
Desde que a MP foi editada, em agosto, as ações judiciais contra o presidente do BC passaram a ter que ser impetradas no STF (Supremo Tribunal Federal), como já ocorre com os demais ministros de Estado. Ele não está mais sujeito a ações na primeira instância da Justiça. A MP já está em vigor, mas ainda tem que ser aprovada pelo Congresso para valer definitivamente. Ao apreciar a matéria, a Câmara dos Deputados estendeu o foro privilegiado para ex-presidentes do BC.
''Eu continuo achando que a medida provisória é inconstitucional, mas é um direito do Senado votá-la'', disse o procurador-geral da República, Claudio Fonteles, autor de um parecer considerando a MP, além de inconstitucional, casuística.

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