Oposição teme submissão do Legislativo
PUBLICAÇÃO
sábado, 29 de setembro de 2007
Christiane Samarco<br> Agência Estado 
Brasília- Pela força de cooptação do governo Lula, os partidos de oposição são os mais preocupados com a possibilidade de o Supremo Tribunal Federal (STF) contrariar a análise do TSE sobre fidelidade. ''Se o Supremo permitir que os parlamentares mudem livremente de partido, isso transformará o Congresso em filial do Executivo e arrasará a oposição'', resume o senador Antonio Carlos Magalhães Júnior (DEM-BA).
O deputado Paulo Bornhausen (SC), vice-presidente do DEM, acha que, mais que ameaçar a oposição, eventual decisão nesse sentido põe em risco a democracia. ''Se o Supremo não agir com rigor, perde a oposição, perdem as instituições e perde o País'', concorda o deputado ACM Neto (DEM-BA).
A oposição teme ainda que a decisão possa alimentar uma ofensiva petista para dar um terceiro mandato ao presidente Lula. Bornhausen se diz preocupado porque ''a toda hora o PT tem falado em plebiscito''. Ele avalia que só com troca-troca seria possível montar maioria para aprovar um plebiscito e mudar as regras da reeleição.
Tucanos também esperam com ansiedade a conclusão do STF. ''Eu tenho medo, sim. O PT tem dado seguidas demonstrações de que não quer largar o poder de jeito nenhum'', diz o senador Sérgio Guerra (PSDB-PE). Ele avalia que uma decisão do tribunal contrária ao TSE vai fortalecer o processo em curso de desestruturação dos partidos e favorecer o governo.
''Ao permitir o troca-troca sem fim, transformando o fisiologismo em conta corrente do dia-a-dia do Congresso, abre-se as portas para qualquer reforma na base do toma-lá-dá-cá institucionalizado'', diz Bornhausen. ''Neste cenário, o PT ganhará os instrumentos de que precisa para aprovar o terceiro mandato do presidente Lula''.
Os oposicionistas reclamam da agressividade do Planalto em cooptar senadores do DEM. Muitos avaliam que a ofensiva, com a participação de Lula, vai além do interesse em aprovar a emenda que prorroga a CPMF. ''A movimentação não deixa dúvida de que eles querem ter poder de fogo para muito mais anos. Não há imposto que justifique tanta ousadia'', opina Bornhausen. Ele cita a entrevista que Lula deu ao ''O Estado de S.Paulo'', há pouco mais de um mês: diz que ele ''deu a senha'', quando declarou que ''nem se o povo pedir'' aceitaria o terceiro mandato. ''A leitura correta da frase é outra. Com o argumento do nem se o povo pedir, ele disse: peçam.''


