Oposição tem apoio de 190 deputados para criar CPI
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segunda-feira, 07 de maio de 2001
Doca de Oliveira Agência EstadoDe Brasília 
Mais que constrangimento, o suposto envolvimento do ministro Fernando Bezerra na prática de fraudes contra a Sudene deu ontem novo fôlego ao esforço dos partidos de oposição para instalar uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar corrupção. Ao fim do dia, os líderes de esquerda contavam o apoio de 190 deputados e 29 senadores 21 nomes a mais do que o exigido para a instalação de uma comissão mista. O contingente engrossado pela adesão de dois senadores tucanos. Os irmãos Álvaro e Osmar Dias (PSDB-PR) decidiram assinar o requerimento, impondo mais um revés ao Palácio do Planalto.
O anúncio da adesão dos irmãos tucanos surpreendeu o governo e jogou por terra uma operação abafa montada pelos operadores políticos do Planalto para esvaziar a CPI. Recebidos no Palácio da Alvorada no fim da manhã de ontem, os líderes do PSDB, Sérgio Machado (CE), e do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), levaram ao presidente Fernando Henrique Cardoso uma boa nova: dois senadores governistas haviam concordado em retirar os nomes do requerimento da oposição, o que derrubaria a instalação da comissão.
O grupo, que incluiu o secretário-geral da Presidência, Aloysio Nunes Ferreira, comemorou o que poderia ter sido um golpe na oposição, não fosse a surpresa preparada por Alvaro e Osmar Dias. Os irmãos Dias agiram à revelia do PSDB e do Planalto. Eles vinham negando-se a apoiar a CPI não apenas pela defesa do governo, mas também por concordarem com a tese da inconstitucionalidade. As últimas notícias reforçam a tese de que é necessária uma investigação, justificou A Álvaro, referindo-se às denúncias associando o ministro a fraudes na Sudene.
Osmar fez um discurso para justificar o apoio. Ele admitiu que havia se disposto a assinar no caso de uma desistência e justificou a decisão com o que qualificou como pressão da opinião pública para que as investigações sejam feitas.
Ainda perplexos pela reviravolta, os operadores políticos do governo guardam a sete chaves a estratégia de ação. A orientação é aguardar a formalização do pedido da oposição para ver qual o melhor caminho a tomar.


