Oposição suspeita que há encenação
A oposição vai ficar de olho em cada movimento do prefeito Antonio Belinati até os últimos 15 dias que antecederem as eleições municipais. Adversários e até políticos aliados, ouvidos pela Folha ontem, manifestaram uma ponta de desconfiança. Alguns acham que a desistência anunciada por Belinati faz parte de uma estratégia de marketing idealizada pelo próprio prefeito para voltar à disputa em grande estilo, mais para frente. ‘‘Dizer que não é candidato à reeleição traz um alívio imediato em meio a tanta pressão. O prefeito está sendo ameaçado de cassação. Um anúncio como este pode perfeitamente ajudá-lo a desviar-se do foco’’, analisou uma fonte ligada ao prefeito Belinati. Porém, outra fonte, igualmente com ampla circulação junto às bases do prefeito, confirmava ontem que a decisão é mesmo irreversível.
Belinati, segundo a primeira fonte, estaria tentando repetir a façanha de Lerner que, em 1988, conseguiu eleger-se prefeito de Curitiba em 12 dias. ‘‘Ele coloca um laranja no lugar, o laranja renuncia e ele volta como o salvador da pátria, respaldado por pesquisas de opinião dando conta que ele continua sendo um dos prefeitos mais populares do Paranᒒ, disse a fonte.
A revelação de que não será mais candidato à reeleição coincidiu com o fechamento de uma pesquisa de opinião feita pela Brasmarket, dando ao prefeito de Londrina aprovação popular de 87% – o segundo lugar no Paraná, atrás de Tauillo Tezelli, de Campo Mourão (PPS). Pela pesquisa, se a eleição fosse hoje, Belinati seria reeleito com facilidade, no primeiro turno.
O deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB) não tem dúvidas de que a decisão foi para ‘‘desanuviar’’ a pressão vivida por Belinati. ‘‘Mas dizer que não é candidato não o exime das responsabilidades, nem do processo de impeachment que passará a enfrentar a partir desta semana’’, avaliou o deputado tucano. Mesma opinião tem o deputado estadual Moysés Leônidas (PDT). ‘‘Em vez de desistir de ser candidato, deveria ter renunciado. Só tomou a decisão quando viu que a água já estava no peito’’, fez a comparação. ‘‘Londrina tem o que festejar. Não concorrer em outubro é o início do fim de um reinado’’, disse.(L.D.)

mockup