Poucos senadores acompanharam o pronunciamento do presidente Fernando Henrique Cardoso. Dos poucos que estavam em Brasília, a maioria não o assistiu, mas apenas tomou conhecimento do seu teor. O líder do PT no Senado, José Eduardo Dutra, subestimou as ações do presidente. ‘‘Acho tudo isso muito engraçado porque quando ele (Fernando Henrique) assumiu, destituiu uma comissão criada pelo ex-presidente Itamar Franco semelhante a essa que lançou hoje (ontem)’’, declarou, avisando que isso não adianta nada porque ‘‘a porta já está arrombada’’.
O senador Paulo Hartung (ES), líder do PPS, considerou ‘‘improcedentes’’ as críticas à CPI, mas elogiou a atitude de Fernando Henrique de mandar averiguar as acusações. ‘‘Tomo a iniciativa de parabenizá-lo porque todo governo quando se incomoda com o que a opinião pública fala dele tem chances de corrigir seus erros’’, observou Hartung ao acrescentar que criar a corregedoria ‘‘é um bom sinal’’ já que mostra que o governo saiu do imobilismo.
O senador Carlos Wilson (PPS-PE) não poupou o presidente. ‘‘Quando era senador, Fernando Henrique foi um dos grandes incentivadores da CPI para investigar corrupção naquele governo e nem por isso o ex-presidente José Sarney caiu’’, disse ele, ao comentar que ‘‘quem não deve, não teme’’.
Os aplausos à iniciativa do presidente vieram dos líderes do governo no Senado, José Roberto Arruda (PSDB-DF), e do PMDB na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA). ‘‘Isto traduz uma decisão política de auditar tudo que surgir e responder à cada vírgula contra o governo’’, afirmou Arruda.
Segundo ele, o presidente e seu governo estavam sendo atacados de corrupção, ‘‘o que é absolutamente inverídico e o estava deixando indignado’’. Geddel, por sua vez, afirmou que qualquer iniciativa nessa linha de criar uma corregedoria é ‘‘muito bem vinda’’ e deveria até mesmo ser seguida pelos estados. Para ele, a proposta é válida também porque combate o discurso dos irresponsáveis e demagogos.

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