Oposição sobe tom e fala em impeachmeant de Lula
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segunda-feira, 17 de abril de 2006
Gilse Guedes e Denise Madueño<br>Agência Estado 
Brasília - A oposição subiu ontem o tom ao voltar a falar em abertura de processo de impeachment do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No Senado, o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) defendeu abertamente que seja protocolado pedido de impeachment, mesmo diante da constatação de que um eventual processo contra Lula só seria concluído após as eleições.
Mesmo que não seja votado a tempo, temos que entrar com pedido de impeachment, afirmou o senador. E acrescentou: Até por muito menos, por um Fiat Elba (que ganhou de presente), o presidente Collor foi posto para fora. No entender de ACM, foi por gentileza que o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, não citou Lula na denúncia sobre o mensalão.
Até agora, ACM dizia que a oposição não queria o impeachment de Lula e que o afastamento do presidente seria feito por meio das urnas, nas eleições deste ano. Em entrevista, o senador esclareceu que um eventual processo de impeachment representaria um gesto político importante que poderia enfraquecer a candidatura à reeleição do presidente.
No entanto, não descartou a possibilidade de Lula posar de vítima e usar o pedido de impeachment a seu favor na campanha pela reeleição. Mas isso, segundo ele, é um risco que a oposição terá de correr. Ele disse que tem informação de que a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) vai se reunir no dia 28 para discutir a abertura de processo contra Lula.
Na Câmara, o presidente do PPS, deputado Roberto Freire (PE), informou que o partido vai aprovar, em reunião de sua executiva com a bancada parlamentar, a posição favorável ao impeachment. Freire disse que o partido não pode tomar a iniciativa de pedir o impeachment de Lula, mas que fará questão de deixar clara sua posição sobre essa questão. Freire argumentou que o impeachment de Lula se impõe porque são muito graves as denúncias contidas no documento do procurador-geral, encaminhado ao Supremo Tribunal Federal. Falta alguém na denúncia. É o sujeito oculto, e é necessário dar o nome dele: ele é o presidente da República e é o chefe desses que assaltaram o Estado.


