Oposição se une para analisar documentos
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sexta-feira, 21 de março de 1997
Sucursal de Curitiba 
As bancadas do PMDB e PT na Assembléia Legislativa retomam na semana que vem as investigações das denúncias de supostas irregularidades nas operações de compra de títulos públicos pela Banestado Corretora e a venda de debêntures da Banestado Leasing. Os deputados de oposição se reúnem segunda-feira para definir grupos de trabalho que investigarão operações e documentos específicos. A bancada do PSDB deverá ajudar nesse trabalho, que já ganhou o nome de CPI branca.
A oposição não saiu satisfeita da sessão secreta realizada anteontem na Assembléia com as presenças de 17 diretores do Banestado e dos secretários Miguel Salomão (Fazenda) e Osvaldo Magalhães dos Santos (Esporte e Turismo). O líder do PSDB, César Silvestri, disse ontem que várias operações da Banestado Leasing ainda precisam ser esclarecidas.
Entre as dúvidas da oposição está a operação de leasing no valor de R$ 3,5 milhões feita pela empresa Rápido Laser, cuja irregularidade no contrato foi reconhecida pelo secretário Magalhães dos Santos, ex-presidente da Banestado Leasing.
A oposição também quer aprofundar as investigações dos contatos telefônicos mantidos pelo empresário Fausto Solano Pereira, dono da corretora Boasafra, com empresas, órgãos públicos, diretorias do Banestado e empresários do Paraná.
Essas investigações isoladas não têm o mesmo poder de uma CPI. Os deputados poderão ter acesso aos documentos, mas não poderão obtê-los como provas de irregularidades. Uma Comissão Parlamentar de Inquérito, ao contrário, pode formar provas e encaminhá-las ao Ministério Público. Mas a CPI é uma medida extrema que deve ser evitada, admite o deputado Luiz Cláudio Romanelli (PMDB).
Para Romanelli, a CPI pode ser evitada com um esforço conjunto de todos os deputados nas investigações e com medidas administrativas por parte do governo do Estado.
O secretário Giovani Gionédis, chefe da Casa Civil, descarta totalmente a possibilidade de instalação de uma CPI na Assembléia. Todos os documentos e contas já estão à disposição dos deputados. Além disso, a diretoria do banco não escondeu qualquer informação, afirmou.


