Brasília - Para aproveitar o momento de divisão na base governista, dirigentes e parlamentares dos partidos de oposição lançaram ontem um manifesto pela união da oposição nas eleições presidenciais. A avaliação dos deputados que subscreveram o documento é de que dificilmente a oposição sairá vitoriosa da sucessão presidencial se as esquerdas estiverem em campos opostos. Foi criado ainda um núcleo na Câmara pela frente das oposições. O grupo formado por parlamentares do PT, PSB, PC do B, PPS e até do PMDB quer reunir na próxima semana os presidentes dos partidos de esquerda para convencê-los a encampar a idéia.
Articuladores do movimento, o líder do PC do B na Câmara, Haroldo Lima (BA), e a deputada Luiza Erundina (PSB-SP) pretendem convidar inicialmente os presidentes do PDT, Leonel Brizola, e do PSB, Miguel Arraes. Cautelosos por causa da dificuldade de um entendimento em torno de um candidato único de oposição, os defensores da proposta preferiram elaborar um manifesto sem falar da discussão de um nome para comandar a chapa presidencial. Trataram apenas da elaboração de um programa de governo conjunto dos partidos de esquerda. ‘‘Não dá para falar em nomes agora, porque seria dificultar a discussão’’, reconheceu o senador José Eduardo Dutra (PT-SE), que participou da reunião de criação do núcleo na Câmara.
Para ele, as esquerdas têm de aproveitar o momento de fragilidade da aliança governista e da acirrada disputa política entre os aliados dos presidenciáveis José Serra (PSDB) e Roseana Sarney (PFL) e começar a articular a unidade. ‘‘Lançar um candidato único de oposição é uma tarefa difícil, mas não é impossível’’, disse o petista. Segundo ele, o PT poderia abrir mão de candidaturas a governos estaduais para outros nomes da esquerda de forma a abrir um canal de negociação.
Na avaliação do deputado Virgílio Guimarães (PT-MG), o PT em São Paulo poderia desistir de lançar a candidatura do deputado José Genoíno (SP) ao governo do Estado e compor com outros nomes. Quanto ao candidato que encabeçaria a chapa presidencial, Virgílio Guimarães avalia que as legendas teriam de escolher o nome mais viável eleitoralmente. Mas esse assunto, de acordo com ele, teria de ser discutido em outro momento.

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