Oposição se une e o alvo é a Copel
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segunda-feira, 02 de setembro de 2002
Maria Duarte<BR>Equipe da Folha 
Curitiba Pela segunda vez em menos de uma semana, o candidato ao governo do Estado pelo PMDB, senador Roberto Requião, voltou a atacar a direção da Copel. Requião promete encaminhar ao Ministério Público do Paraná notícia-crime, na qual pede investigação rigorosa na intenção da Copel de vender, em seis anos, 366 megawatts (MW) por ano. Outros dois candidatos de oposição ao governo uniram-se a Requião na iniciativa. Os deputados federais Padre Roque Zimmermann (PT) e Rubens Bueno (PPS) também vão subescrever o documento que será entregue hoje ao MP.
Requião entende que essa venda será lesiva ao interesse público e aos consumidores. ''A Copel pretende vender energia que faltará aos paranaenses no futuro, obrigando a empresa a recomprá-la a preços superiores'', argumentou o senador. ''Temos que barrar esse processo, porque não é possível que a pouco mais de 30 dias das eleições queiram fazer um negócio que vai durar para os próximos seis anos, prejudicando todos os paranaenses'', completou. O peemedebista quer auditoria em todos os documentos que têm como objeto a negociação de venda de energia elétrica.
Na semana passada, Requião havia prometido, através de nota oficial que, se eleito no dia 6 de outubro, vai anular o contrato entre a Copel e a Tradener, empresa especializada na comercialização de energia, um dos setores mais rentáveis do setor elétrico. Requião classificou a parceria de ''prejudicial ao interesse público'' e de ''negociata''.
O gancho para o discurso do candidato do PMDB foi a intermediação da Tradener na venda de ''energia velha'' da Copel, processo imposto pelo governo federal e anunciado há dias. A Tradener, que tem contratualmente direito a comissão de 2% sobre o valor da transação, publicou o primeiro anúncio nos jornais no último dia 21, como forma de cumprir determinação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), para dar ampla publicidade à comercialização.
Requião disse que a Copel está se antecipando ao vender a ''preço vil'' 25% de toda a energia gerada pelas usinas paranaenses para outros estados e grandes consumidores em seis meses. De acordo com a nota do senador, o preço básico é de R$ 75,36 por MW/h, ''menos da metade do que pagam, em média, as indústrias paranaenses, menos de um terço do que pagam os consumidores residenciais de nosso Estado e abaixo do que a própria Copel paga na compra de energia''.
A diretoria da Copel, através de sua assessoria de imprensa na Capital, informou através de nota, na ocasião, que ''nem a Copel, nem qualquer de suas subsidiárias, está agindo ao arrepio da lei''. A estatal alega que não há decisão judicial ou preceito legal impedindo ou embaraçando a comercialização de blocos de energia excedentes ao mercado, seja sob a forma de oferta pública, seja sob a forma de leilões. Ontem, a assessoria de imprensa da Copel foi novamente procurada, mas a direção da estatal não se manifestou.


