Oposição se reúne para definir frente anti-Lerner
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sexta-feira, 09 de janeiro de 1998
Leandro Donatti Curitiba 
Arquivo FolhaNem dinamite palaciana derruba essa frente, ironiza TonelliOs partidos de oposição ao governo do Estado avançaram um passo ontem na costura da frente única contra a reeleição do governador Jaime Lerner (PFL). As direções do PMDB, PSDB, PDT, PT, PPS, PRTB, PC do B, PCB e PSN reuniram-se em Curitiba para iniciar o esboço da linha mestra de um plano alternativo de governo. Os adversários de Lerner dão sinais de que estão dispostos a superar divergências internas e vaidades pessoais para dedicarem-se a um projeto comum: a retomada do Palácio Iguaçu.
A definição dos nomes que integrarão a chapa majoritária ocorrerá somente em abril, de acordo com o que ficou acertado ontem. Até lá, o PMDB mantém a pré-candidatura do senador Roberto Requião; o PSDB, a do presidente da Telepar, ex-governador Álvaro Dias; e o PT, a do ex-prefeito de Londrina Luiz Eduardo Cheida. O PDT ainda não sabe que rumo vai tomar em 98, mas participa das articulações. O partido pode apresentar também um pré-candidato ao governo.
A escolha dos candidatos será precedida da discussão de critérios. Além de uma pesquisa analítica e quantitativa junto aos eleitores em todo o Estado, os líderes querem que as bases partidárias tracem um perfil do melhor candidato ao governo, vice e ao Senado. Levando-se em conta, inclusive, os níveis de rejeição junto à população. Os nomes vão sair do consenso. Não há o que derrube esta frente, nem dinamite palaciana, ironizou o presidente estadual do PT, ex-deputado Pedro Tonelli.
Olivir Gabardo, que responde interinamente pelo PSDB, diz que a idéia de formação da frente de oposição a Lerner é irreversível. O otimismo do dirigente não é para menos. Ontem, foi a primeira vez que os tucanos sentaram-se à mesa de discussões. Até então, a participação do grupo era vista com reservas por alguns setores, devido ao apoio declarado da sigla à reeleição do presidente Fernando Henrique. Gabardo afirma que a disputa nacional está dissociada do confronto estadual. Não vamos fazer campanha para o mesmo candidato à presidência, mas estamos unidos na briga pelo governo, constatou.
O principal foco de resistência ao PSDB vem do PDT. Nelton Friedrich, do PDT, admite que o presidente nacional do partido, Leonel Brizola, poderá abrir exceções e ampliar o leque de alianças em alguns estados como o Paraná, mas reforça a posição de contrariedade à política neoliberal do governo federal. As excepcionalidades devem ser discutidas mais para frente, adianta. Para o dirigente, o momento é do PDT voltar-se para a reestruturação. O PDT ainda convalesce da crise interna provocada pela desfiliação do governador Jaime Lerner - rumo ao PFL - em setembro passado.
Nenhum dos apontados como pré-candidatos ao Palácio Iguaçu - Requião, Álvaro e Cheida - compareceram ao encontro de ontem.


