Arquivo Folha‘Nem dinamite palaciana derruba essa frente’, ironiza TonelliOs partidos de oposição ao governo do Estado avançaram um passo ontem na costura da frente única contra a reeleição do governador Jaime Lerner (PFL). As direções do PMDB, PSDB, PDT, PT, PPS, PRTB, PC do B, PCB e PSN reuniram-se em Curitiba para iniciar o esboço da linha mestra de um plano alternativo de governo. Os adversários de Lerner dão sinais de que estão dispostos a superar divergências internas e vaidades pessoais para dedicarem-se a um projeto comum: a retomada do Palácio Iguaçu.
A definição dos nomes que integrarão a chapa majoritária ocorrerá somente em abril, de acordo com o que ficou acertado ontem. Até lá, o PMDB mantém a pré-candidatura do senador Roberto Requião; o PSDB, a do presidente da Telepar, ex-governador Álvaro Dias; e o PT, a do ex-prefeito de Londrina Luiz Eduardo Cheida. O PDT ainda não sabe que rumo vai tomar em 98, mas participa das articulações. O partido pode apresentar também um pré-candidato ao governo.
A escolha dos candidatos será precedida da discussão de critérios. Além de uma pesquisa analítica e quantitativa junto aos eleitores em todo o Estado, os líderes querem que as bases partidárias tracem um perfil do melhor candidato ao governo, vice e ao Senado. Levando-se em conta, inclusive, os níveis de rejeição junto à população. ‘‘Os nomes vão sair do consenso. Não há o que derrube esta frente, nem dinamite palaciana’’, ironizou o presidente estadual do PT, ex-deputado Pedro Tonelli.
Olivir Gabardo, que responde interinamente pelo PSDB, diz que a idéia de formação da frente de oposição a Lerner é irreversível. O otimismo do dirigente não é para menos. Ontem, foi a primeira vez que os tucanos sentaram-se à mesa de discussões. Até então, a participação do grupo era vista com reservas por alguns setores, devido ao apoio declarado da sigla à reeleição do presidente Fernando Henrique. Gabardo afirma que a disputa nacional está dissociada do confronto estadual. ‘‘Não vamos fazer campanha para o mesmo candidato à presidência, mas estamos unidos na briga pelo governo’’, constatou.
O principal foco de resistência ao PSDB vem do PDT. Nelton Friedrich, do PDT, admite que o presidente nacional do partido, Leonel Brizola, poderá abrir exceções e ampliar o leque de alianças em alguns estados como o Paraná, mas reforça a posição de contrariedade à política neoliberal do governo federal. ‘‘As excepcionalidades devem ser discutidas mais para frente’’, adianta. Para o dirigente, o momento é do PDT voltar-se para a reestruturação. O PDT ainda ‘convalesce’ da crise interna provocada pela desfiliação do governador Jaime Lerner - rumo ao PFL - em setembro passado.
Nenhum dos apontados como pré-candidatos ao Palácio Iguaçu - Requião, Álvaro e Cheida - compareceram ao encontro de ontem.

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