Oposição se mexe
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 11 de março de 2019
Luiz Geraldo Mazza 
Oposição se mexe
Até aqui imobilizada, ainda que favorecida pelas mancadas do governo, a esquerda virou teórica num momento em que a direita é a práxis dominante. Sua principal fonte, o PT, causa essencial da derrota, tenta evitar a catatonia a que é condenado pelas circunstâncias, se liga no calendário e na obsessão do "Lula livre" para exercitar alguns passos, ainda este mês, mas principalmente em abril quando o STF examinará a questão da prisão pós segunda instância e teremos no dia 7 de abril a passagem do primeiro ano de prisão do ex-presidente. Ainda em março o STJ examina reclamação dos advogados de Lula.
Embora sujeita à erosão, ao estresse e à fadiga do material (o fato concreto é que o homem segue preso e a exploração em torno do tema gera escasso proselitismo com boa parte da militância dando sinais de que é preciso outros caminhos sem o desprezo da ação direta), pretende-se mostrar que a correlação exige mais firmeza e, inclusive, o aproveitamento de eventuais cismas no interior do governo especialmente o suposto choque entre olavistas de carteirinha e a ala militar, alvo de ataques do filósofo, em meio à sua ordem para que seus alunos deixassem o Ministério da Educação.
Como se percebe o doutrinador está exigindo obediência e faz críticas acentuadas sobre o suposto papel de "deixa disso" exercido pelo vice Hamilton Mourão. Um choque entre teoria e prática, no qual a voz do filósofo se pretende verdadeira por estar na raiz do movimento que arrasou as esquerdas.
Mais agito
A impressão que se tem, apesar da anunciada e decisiva arregimentação pela reforma da previdência e seu trâmite nas comissões da Câmara Federal, é que temos um governo de agito em técnicas nada ortodoxas de comunicação, via redes sociais. Um verdadeiro choque, mais de impulsos do que de ideias propriamente ditas, pauta esse suposto confronto de posições e que pelo tom radical adotado dentro em pouco teremos vítimas mais concretas do que eventuais perdas de espaço na intimidade do poder.
Deu para perceber o exercício extremo de justificativas por parte do presidente para a queda de Bebiano e que se repete com a prensa em cima do atual ministro do Turismo em função de laranjices investigadas pela polícia judiciária. Mesmo sem ter o controle das articulações - e a disputa para ver quem comanda a bancada evangélica sob ameaça de racha é uma delas -, o alarido produzido pela agitação, e que ganhou efetivamente a eleição tanto aqui como nos Esteites, mantém a gestão viva e provocando adesões e afastamentos.
Paridade possível
A hipótese argentina de paridade, meio a meio, entre homens e mulheres para efeito das cotas eleitorais, convenhamos, ainda que pareça elástica aquelas que já têm a maioria dos votos, é mais racional do que as com características de concessão em torno de 20% ou 30%. É verdade que as cotas não são preenchidas e passam até a servir de manobras corruptoras como nos casos de Minas Gerais e Pernambuco, mas o racha, meio a meio, é mais decente e talvez até induza à maior participação sem necessariamente montar uma central de laranjas.
Sobre as cotas convém lembrar que no caso dos norte-americanos, de quem as decalcamos no painel das universidades, elas decorriam da "consciência culpada" pela vergonheira, ainda nos anos 60 do século passado, no "apartheid" em escolas, restaurantes e transportes públicos que consagraram Luther King e também radicais do movimento negro como aqueles que fecharam o pulso no pódio da olimpíada. Herdamos daí a discriminação positiva, embora as contestações isoladas dos que a encaram como nefastas à meritocracia, o que de repente pode voltar à pauta, uma vez que integra o consenso, contra o qual muitos se batem - e isso de forma oficial, com o máximo alinhamento.
Direita mundial
Há várias direitas no mundo e a norte-americana, hoje com sotaque próprio com a vitória de Trump, não é tão bem estruturada como a europeia, que tem vivência cultural do assunto desde a primeira e segunda guerras mundiais. Ela vai estar presente, por seus filósofos e militantes num jantar oferecido pelo embaixador brasileiro nos Esteites, Sérgio Amaral, ao presidente Jair Bolsonaro visto como uma das expressões internacionais da falange.
Praia o ano todo
À cada operação "Praias" bem-sucedida segue a luta dos seus moradores e empresários por formas de atração permanente até porque neste ano a moleza dos feriadões praticamente acabou. Teremos mais um ou dois feriadões e essa observação do calendário captou o dado negativo que isso representa. O fato é que precisamos, antes de tudo, equipar melhor o nosso litoral. Primeiro isso, depois as promoções e eventos.
Folclore
Desaparecimento das marmitas de trabalhadores do Passeio Público provocou tal desconforto que a prefeitura de Curitiba decidiu tocar uma sindicância e aí descobriu que os ladrões da comida eram mais do que funcionários: eram os macaquinhos que viviam fora da jaula, enfim os donos do zoo.


