Oposição reivindica espaço na Assembléia
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 06 de novembro de 2008
Catarina Scortecci<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Próximos do fim do segundo ano da atual legislatura, os deputados estaduais já começam a se articular nos bastidores para a eleição dos membros da Mesa, prevista para acontecer já no próximo mês. Ao que tudo indica, o atual presidente da Casa, Nelson Justus (DEM), e o primeiro secretário Alexandre Curi (PMDB) devem continuar no comando. A única mudança ventilada ontem na Assembléia Legislativa diz respeito à cadeira de segundo secretário, que estaria sendo reivindicada pela bancada da oposição. A Mesa é composta por nove membros, mas, na prática, são as cadeiras de presidente, de primeiro secretário e de segundo secretário de fato cobiçadas pelos líderes.
''Eu sempre defendi que um dos três cargos deve ser da oposição'', afirmou o deputado Valdir Rossoni (PSDB), que na segunda-feira retoma o comando da bancada da oposição. O tucano afirmou, entretanto, que não tem participado das negociações. A Reportagem apurou que os chamados ''tucanos de bico vermelho'', ou seja, deputados do PSDB da base aliada, também estariam de olho na cadeira de segundo secretário. O objetivo seria tirar do PT o cargo, já que a sigla, que hoje pertence à base aliada, já deu sinais pós-eleição de que vai adotar uma postura mais independente na Casa.
Questionado sobre o assunto, Élio Rusch (DEM) reforçou que a indicação deve ser do grupo que de fato faz oposição. ''Não pode ser uma indicação partidária'', disse Rusch, na tentativa de evitar que ''tucanos de bico vermelho'' ganhem o posto. ''Historicamente, a oposição tem espaço na Mesa. Quando éramos governo do Estado nós valorizávamos a oposição.'' Rusch lembrou ainda que o presidente da Casa, apesar de pertencer ao DEM, ''nunca pertenceu à oposição'' e, portanto, está fora dos cálculos da bancada. Justus só conseguiu ser eleito para a principal cadeira, no início da legislatura, porque contou com o apoio da base aliada.
Por fora, ainda corre o deputado Stephanes Júnior (PMDB), que já havia declarado sua intenção em ocupar uma cadeira na Mesa. Mas a possibilidade, admite ele, só se tornaria viável se a escolha dos membros da Mesa fosse feita individualmente, mudança que formalmente já propôs ao plenário, mas ainda não foi analisada. Atualmente, a escolha é feita por chapa fechada e os candidatos são indicados pelos líderes das bancadas. Tradicionalmente, há chapa única.


