Oposição recua para evitar derrota na Copel
Irritados com a súbita recuperação de apoio do governo, os autores dos três projetos de lei que revogam a autorização do Estado para vender a Copel (Lei 12.355/98) decidiram ontem retirá-los da pauta de discussões da Assembléia Legislativa. A decisão foi tomada numa reunião coordenada pela bancada de oposição, depois que o líder do governo, Durval Amaral (PFL), conseguiu aprovar por 30 votos contra 18 seus requerimentos de pedido de urgência na votação da revogação da lei. A oposição calcula que precisa de mais um mês para consolidar o apoio de no mínimo 28 deputados e mobilizar a sociedade. Só então pretende reapresentar os projetos.
A decisão fortalece, num primeiro momento, o governo que fica livre de continuar negociando com deputados rebeldes. Pelo que ficou evidenciado na sessão de ontem, o Palácio Iguaçu conseguiu recompor parte da base aliada. A votação dos requerimentos serviu como uma espécie de prévia do que seria a votação da revogação da Lei 12.355/98.
Dois projetos prevêem a revogação da lei (um de autoria da bancada de oposição e outro do líder do PPB, Tony Garcia). O terceiro, elaborado por Marcos Isfer (PPS) e Cézar Silvestri (PPS), estabelece que a geração de energia permaneça nas mãos do Estado. O presidente da Assembléia, Hermas Brandão (PTB) que recebeu cópia dos pedidos de arquivamento temporário dos projetos , disse que a manobra da oposição é permitida pelo Regimento Interno, cabendo a ele apenas acatar a retirada das matérias. A intenção da liderança do governo era votar os três projetos, em separado, o mais cedo possível. Ontem, Durval Amaral admitia a possibilidade de pedir, já na segunda-feira, a transformação do plenário em comissão geral o que dispensaria o trâmite nas comissões permanentes, permitindo que fossem votados antes da Páscoa.
Caíto Quintana (PMDB) disse que a retirada foi a melhor saída encontrada pela oposição, tendo em vista o rolo compressor do governo, que já arrebanhou a maioria na Casa. Amaral disse que a oposição caiu na real. Eles perceberam o óbvio: que a privatização tem que acontecer. E ameaçou entrar com um projeto de revogação só para derrubá-lo e acabar com as pretensões da oposição.
Algaci Túlio (PTB) estava indignado. Estávamos prestes a ser derrotados. Por isso, decidimos protelar a votação até estarmos seguros do apoio na Assembléia e da opinião pública. A reunião entre liderança de governo e oposição que poderia culminar num acordo fixando a data para votação acabou frustrada. Hermas Brandão paralisou a sessão para que Durval Amaral e Waldyr Pugliesi (PMDB) conversassem. Não saiu acordo, só a votação do regime de urgência.
A Igreja Católica resolveu engrossar o coro dos contrários à privatização. O vice-arcebispo da Arquidiocese de Curitiba, Dom Ladislau Biernask, disse ontem que a igreja é contra a venda da companhia de energia. Biernask condenou o uso de dinheiro público pelo governo do Estado para veicular publicidade favorável à privatização. Essa propaganda do governo é imoral, declarou.
Para o presidente da Copel e secretário da Fazenda, Ingo Hubert, os solavancos políticos em torno da estatal de energia estão contribuindo para desvalorizar os papéis da empresa na Bovespa.





