As insinuações tornadas públicas pela liderança do Executivo de que parte da Câmara de Vereadores de Londrina estaria tentando barganhar cargos na administração para aprovar matéria de interesse da prefeitura surtiram efeito. Na sessão de ontem, por 18 votos a zero, os parlamentares mudaram o discurso da última quinta-feira e decidiram aprovar, em regime de urgência e diante de uma galeria cheia de servidores da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), a matéria que autoriza a abertura de um crédito adicional de R$ 480 mil à companhia para o pagamento da folha salarial. A medida ocorreu porque a Grande Londrina conseguiu bloquear, na Justiça, os valores da taxa de gerenciamento do sistema de transporte coletivo que bancavam, entre outras despesas, o funcionalismo da CMTU.
O projeto criou a primeira rusga entre Prefeitura e Câmara, uma vez que a proposta apresentada na quinta passada acabou rejeitada por sete votos contrários e nove favoráveis - eram necessários dez para seguir a novo turno. Depois de conversas nos bastidores com o líder do prefeito Barbosa Neto (PDT) na Casa, Joel Garcia, e com o secretário municipal de Governo, José do Carmo - que acompanhou a votação -, os sete contrários à matéria se justificaram em plenário, com discursos de enaltecimento aos funcionários da CMTU, e votaram a favor. Após algumas manifestações mais ou menos inflamadas dos que haviam votado contra, o líder do Executivo também recuou: ''Não houve barganha, mas uma deficiência desse líder na explicação a quem votou contra''. Depois, em tom de súplica, clamou aos colegas: ''Vamos dar um tempo, vamos dar uma governabilidade ao prefeito. Em 15 dias não se resolvem todos os problemas''.
Entre os que votaram contra, na semana passada, uma situação chamou a atenção: ao mesmo tempo em que se explicavam pelo voto, admitiam supostamente não ter ''esclarecimentos suficientes para a votação''. Indagados se votaram, portanto, sem conhecer o projeto, alegaram: ''Naquela incerteza, achei melhor votar contra para o projeto talvez reapresentado e melhor discutido, que votar a favor sem saber o que era, de fato'', resumiu Jairo Tamura (PSB). ''Votei contra para que houvesse novo esclarecimento, sobretudo a respeito de que essa suplementação vai de fato exclusivamente para o pagamento dos funcionários'', garantiu Tito Valle (PMDB). O peemedebista refutou que o voto contra tenha sido em represália à suposta negativa de cargos ou ainda à falta de diálogo entre os dois poderes: ''Em absoluto''. Já o petista Jacks Dias disse que foi a conversa com o secretário de Governo que o fez mudar de ideia. ''Semana passada não havia tido tempo, tampouco explicação sobre a destinação da verba aprovada'', concluiu.

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