Os partidos de oposição vão começar a recolher hoje as assinaturas para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar denúncias de corrupção no governo. O requerimento para a CPI, aprovado ontem pelos oposicionistas, é amplo e engloba 11 diferentes frentes a serem investigadas pelos parlamentares. As denúncias foram feitas pelos senadores Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) e Jader Barbalho (PMDB-PA), presidente do Senado, que estão em guerra e trocam acusações de enriquecimento ilícito.
‘‘Ou apuramos todas essas denúncias e colocamos um ponto final nisso ou vamos virar o País do denuncismo’’, disse o presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, que esteve em Brasília para participar de reunião da bancada do partido.
‘‘O ACM era a cara-metade do Fernando Henrique (Cardoso) e está fazendo denúncias que saem do próprio seio do governo’’, afirmou Lula. Para a instalação de uma CPI mista (Câmara e Senado) são necessárias 171 assinaturas de deputados e 27 de senadores.
Na tentativa de pressionar os deputados e senadores a criar a comissão, os oposicionistas vão fazer um ato de coleta de assinaturas em todas as capitais do País. ‘‘Vamos realizar uma grande mobilização com a sociedade para persuadir os parlamentares que estão vacilando em apoiar a CPI’’, afirmou Lula. Além disso, a oposição está programando um grande ato de protesto em Brasília em 5 de abril. ‘‘Vai depender da pressão da sociedade para conseguirmos instalar a CPI’’, afirmou o deputado José Dirceu (PT-SP).
O requerimento da comissão é tão amplo que aborda até o chamado Dossiê Cayman, que envolve o ministro Sérgio Motta (morto em abril de 1998), o governador Mário Covas (morto na semana passada), o ministro José Serra (Saúde) e o presidente Fernando Henrique Cardoso. ‘‘Acho que o presidente precisa dar uma resposta à sociedade porque não basta parecer honesto, é preciso ser honesto e a única forma do Fernando Henrique comprovar isso é mandar apurar’’, afirmou Lula.
O dossiê é um conjunto de documentos forjados sobre uma suposta empresa no exterior pertencente à cúpula do PSDB.

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