César Felício
Agência Estado
De Brasília
A união do PT, PDT e PSB em torno de uma candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência em 1998 não deverá mais se repetir. O crescimento da candidatura presidencial do ex-ministro da Fazenda e ex-governador Ciro Gomes (PPS) e o desgaste do presidente Fernando Henrique estão acabando com as possibilidades de união da esquerda e antecipando o lançamento de nomes para a sucessão.
A movimentação em torno de candidaturas é vista com extrema preocupação por parte dos líderes oposicionistas. ‘‘Estamos mapeando o terreno para os partidos que apóiam o governo’’, disse o líder do PT na Câmara, José Genoino (SP), acrescentando: ‘‘O Ciro Gomes precisa fazer isto porque o PPS não sustenta uma candidatura presidencial competitiva e ele precisa crescer, mas para nós antecipar o debate é morder a isca’’.
Segundo Genoino, ‘‘a oposição não pode embarcar na conversa que o governo Fernando Henrique acabou. Em 1994, nós achávamos que a direita não tinha alternativa e a alternativa se criou’’. Segundo o líder do PDT na Câmara, Miro Teixeira (RJ), ‘‘a fragmentação da esquerda é o atalho para a derrota’’.
O fim da frente já é discutido abertamente no Congresso. ‘‘A frente das oposições é artificial e cada partido deve cuidar de seu destino em 2002’’, disse o senador Roberto Saturnino Braga (PSB-RJ). ‘‘A tendência é que a coligação passada não seja reeditada e isto não é necessariamente um mal’’, concordou o senador José Eduardo Dutra (PT-SE), para quem ‘‘Ciro se aproveitou do vácuo criado com o desgaste do governo e o PT não pode cometer o erro de só definir candidatura no ano da eleição’’.
De acordo com Dutra, ‘‘a eleição de 2002 vai parecer com a de 1989 em termos de clima político, com Fernando Henrique equiparado ao então presidente José Sarney em popularidade’’. Segundo o senador, um governo federal fraco tende a não conseguir manter a sua base unida, e desta maneira PFL, PSDB , PMDB e PPB apresentariam candidatos próprios. ‘‘Com a divisão do bloco governista, deve haver a divisão das oposições’’, concluiu.
A frente que apoiou Lula em 1998 começa a se dividir no apoio a pelo menos três candidaturas. Apesar de vozes isoladas que admitem que o PT abra mão de uma candidatura própria, o partido deverá ter candidato. ‘‘Somos o maior partido e não podemos ser coadjuvantes de alternativas frágeis’’, disse Genoino.
Três vezes derrotado para a Presidência, Luís Inácio Lula da Silva só não será candidato se não quiser. Caso queira, as chances do PT se coligar com outros partidos além do PC do B ficam mais reduzidas.’’ O PSB tem um sentimento muito claro de rejeição a uma quarta candidatura de Lula’’, disse por exemplo Saturnino Braga. Nas três tentativas anteriores de Lula, o PSB apoiou o PT.
Pela primeira vez, o PSB pensa em lançar candidatura própria e formalizou convite para o governador de Minas Gerais Itamar Franco (PMDB) ingressar na legenda. Mas o partido está dividido em encampar a candidatura neste momento. ‘‘Itamar é o candidato ideal à Presidência pelo PSB e ele quer concorrer. Basta agora o PSB, que já o convidou, também querer’’, afirmou o prefeito de Belo Horizonte, Célio de Castro.
A seção carioca do PSB resiste a Itamar Franco, considerando o governador mineiro com pouca militância na esquerda. ‘‘As resistências existem e o PSB não vai aceitar a filiação de Itamar com o compromisso prévio dele ser o candidato’’, disse Saturnino.Crescimento de Ciro Gomes e desgaste de Fernando Henrique podem acabar com a aliança PT-PDT-PSB na corrida pela Presidência
Arquivo FolhaTEMORGenoino: ‘‘A oposição não pode embarcar na conversa de que o governo FHC acabou’’ e que direita não tem nomes

mockup