Brasília - A oposição reagiu com críticas às medidas compensatórias anunciadas ontem pelo governo em decorrência do fim da CPMF. Representantes do DEM, do PSDB e do PSOL disseram que o governo rompeu o acordo ao aumentar impostos e prometem dificultar as negociações em torno da proposta do Orçamento Geral da União de 2008.
''Agora está comprovado: é um governo sem palavra e de pessoas mentirosas'', afirmou o presidente nacional do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ). ''Nós fizemos um acordo para aprovar a DRU (Desvinculação das Receitas Líquidas da União) que era de não haver aumento de impostos e eles (os governistas) descumpriram'', disse.
O ministro Guido Mantega (Fazenda) afirmou que o compromisso do governo de não elevar impostos para compensar o fim da cobrança da CPMF valia apenas para 2007. Maia afirmou que: ''Daqui para frente, primeiro, eles (o governo) cumprem o acordo e depois nós fazemos a nossa parte. O que houve é que esticaram a corda''.
O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio Netto (AM), disse que com a decisão anunciada ontem as negociações entre oposição e governo ''ficarão bem mais difíceis''. Segundo ele, as primeiras consequências serão percebidas nas discussões sobre a proposta orçamentária para este ano. ''Aqui, no Amazonas, tem um ditado que diz 'é esperar a volta do anzol'. Vamos ver o que eles (os governistas) vão querer nos propor logo, logo. É óbvio que isso vai provocar percalços'', disse o tucano.
O líder do PSOL no Senado, José Nery (PA), disse que o governo deveria ter se esforçado mais e evitado o aumento das alíquotas do IOF (Imposto sobre Operação Financeiro) e CSLL (Contribuição Social sobre Lucro Líquido). ''Havia outras alternativas, como a diminuição do pagamento da dívida pública, além da redução de gastos e despesas'', afirmou Nery. ''Pessoalmente, acho que para evitar aumento de impostos, o governo poderia ter negociado manter a CPMF por mais um ano até encontrar uma solução adequada.''
Lula
O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva orientou os ministros que anunciassem primeiramente os cortes nas despesas e, depois, o reajuste nas alíquotas do IOF e da CSLL paga pelas instituições financeiras.
Lula se reuniu com Mantega e com Paulo Bernardo para discutir o anúncio das medidas e deixou claro que nessa situação de perda de arrecadação da CPMF ''todos teriam que apertar um pouco o cinto''.
Bernardo disse que a posição do presidente é de que todos dessem uma contribuição para o ajuste nos gastos de modo a garantir o equilíbrio fiscal e os recursos para a área de saúde, que perdeu R$ 18 bilhões com o fim da CPMF, e para o programa Bolsa Família, operado pelo Ministério do Desenvolvimento Social, que perdeu R$ 7 bilhões. ''Nossa tarefa, hoje, é resolver esse problema. Precisamos reequilibrar o orçamento'', disse Bernardo.

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