Os vereadores Elza Correia (PMDB) e Tercílio Turini (PSDB) pretendem apresentar hoje pedido de informações na Câmara para que o prefeito Jorge Scaff (PSB) explique os motivos do repasse de R$ 800 mil do município à Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), em janeiro deste ano. A verba foi autorizada pelo então prefeito Antonio Belinati (sem partido). De acordo com o ex-secretário da Fazenda Jair Gravena, o objetivo da operação foi fazer uma ‘‘operação de integralização de capital na companhia’’. A informação sobre a injeção dos recursos, revelada anteontem à Folha por Gravena, pegou os vereadores de surpresa.
‘‘É assustador. A prefeitura é uma caixa de Pandora. Cada hora sai uma coisa’’, disse Elza ontem. ‘‘Nunca ouvi falar. Se houve, passou batido’’, disse Turini. A vereadora também pretende pedir explicações a Gravena. Isso porque depois da operação, o então secretário, que tinha aproximadamente 10 ações da CMTU passou a deter mais de 400, tornando-se o maior acionista minoritário. A CMTU (antiga Companhia Municipal de Urbanização – Comurb) é uma sociedade anônima de capital fechado. A prefeitura detém 99% das ações e o restante pertence a acionistas minoritários.
A CMTU vem sendo investigada desde o ano passado pelo Ministério Público junto com a Autarquia Municipal de Ambiente (AMA) por causa de desvios de pelo menos R$ 16 milhões dos cofres públicos. A injeção de R$ 800 mil da prefeitura feita na companhia seria para cobrir dívidas contraídas junto ao município.
Segundo o vereador tucano, é estranho o fato de a prefeitura ter feito a integralização de capital na CMTU sem que o assunto fosse discutido. ‘‘E olha que nessa época a Câmara tinha representante no Conselho de Administração da empresa’’, disse Turini. Anteontem, a Folha, o representante do Legislativo no conselho, Sidney de Souza (PTB), alegou que o aumento de capital social foi proposto pela direção da CMTU. Com a operação, a companhia teria conseguido aumentar seu capital de pouco mais de R$ 600 mil para R$ 1,5 milhão.
Para Elza, a injeção de recursos do município na CMTU revela a ‘‘inversão total de prioridade’’ da administração do prefeito cassado pela Câmara Antonio Belinati. ‘‘Esse governo inverteu prioridade e virou as costas à sociedade, injetando dinheiro em setores e pessoas para atender interesses individuais’’, argumentou. O déficit mensal na prefeitura é de R$ 3 milhões/mês.
O socorro do município à CMTU foi revelado depois de a possível venda de 7% das ações da companhia ter sido questionada pelo vereador Carlos Santa Rosa (PFL). O vereador apresentou requerimento à Câmara na semana passada, que deve ser votado na sessão de hoje. A direção financeira da companhia negou a venda, apesar de o pefelista afirmar ter fontes confiáveis de que a operação foi concretizada. Se o pedido de informações for aprovado hoje, Scaff terá 15 dias para respondê-lo. A assessoria da CMTU informou que o presidente da companhia Gustavo Santos irá esperar a chegada do pedido para se manifestar oficialmente. A autorização para a capitalização não precisaria passar pela Câmara.

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