Oposição questiona gasto de Requião com viagens
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quinta-feira, 18 de outubro de 2007
Catarina Scortecci<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A bancada da oposição na Assembléia Legislativa voltou ontem a questionar os gastos do Executivo com viagens e cartões corporativos. Levantamento apresentado no plenário pelo líder da oposição, deputado estadual Valdir Rossoni (PSDB), revela que nos últimos quatro anos, de 2003 a 2006, a gestão do governador Roberto Requião (PMDB) teria gasto R$ 210 milhões somente em viagens e cartões corporativos. O valor incluiria gastos com passagens, locomoções (uso de táxi ou combustível para veículos oficiais) e diárias (hospedagem e alimentação). Em 2006, somente a conta do cartão corporativo teria sido de R$ 21 milhões. Em 2007, de janeiro a agosto, o cartão corporativo já representaria R$ 18 milhões. ''Vamos batizá-lo de governo viajante'', ironizou o tucano.
Rossoni afirma que os dados foram obtidos a partir dos números apresentados pelo próprio Executivo, no site do governo do Estado na internet, nos balanços orçamentários e também no Tribunal de Contas do Estado. O tucano afirma, porém, que faltam explicações em detalhes sobre os números divulgados pelo Executivo. ''Como os valores são exorbitantes tem que haver informação. A polêmica é porque o governo do Estado não presta informação. Precisamos saber quem é o funcionário público que viajou e no que ele gastou'', criticou ele, sugerindo inclusive que, em função da falta de explicações, seja instalada na Casa uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) ''da corrupção''.
''Segunda-feira vou apresentar um requerimento para instalar a 'CPI da Corrupção'. Vamos tratar de acontecimentos graves que ainda não foram explicados, como as televisões laranjas, as ONGs, o Porto de Paranaguá. Eles têm medo de falar.''
O líder do Governo, Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), disse que não há como instalar uma CPI que não tenha um foco já determinado e informa que não acredita na aprovação da proposta na Casa. ''CPI tem que ter um fato, não pode ser genérica'', argumenta ele.
Romanelli afirma que ainda aguarda do Executivo os valores dos gastos com viagens e cartões corporativos, mas assegura que o levantamento da oposição não apresenta dados corretos. ''E se estivessem corretos a gente teria que levar em conta que os cartões corporativos podem ser usados por todo o funcionalimo público. Significa que são valores (os apresentados pela Oposição) extremamente razoáveis'', disse o peemedebista.
O cartão corporativo foi instituído na administração pública em janeiro de 2001 e as regras sobre seu uso foram redefinidas em agosto de 2004, pelo governador Requião. Atualmente, segundo o governo do Estado, estão em uso cerca de 11.800 cartões corporativos para o Executivo. O número, alerta o governo do Estado, é alterado diariamente, já que há solicitações de novos cartões corporativos e também de cancelamentos de outros. Eles são emitidos para os servidores públicos que precisam viajar a trabalho para território nacional ou internacional.


