Curitiba - A bancada da oposição na Assembléia Legislativa cobrou ontem do governo do Estado explicações sobre as aplicações de R$ 50 milhões feitas pela ParanaPrevidência no banco suíço UBS Pactual. O líder da oposição na Casa, deputado Valdir Rossoni (PSDB), chegou a protocolar um requerimento no qual era solicitada a presença na Casa do diretor-presidente da Paraná Previdência, José Maria Correia, e do diretor financeiro do fundo, Mario Lobo Filho. Antes de ir à votação, o requerimento foi retirado pela oposição após um acordo com o líder do governo na Casa, Luiz Cláudio Romanelli (PMDB). O peemedebista prometeu para a próxima semana um encontro entre a oposição e os representantes da ParanaPrevidência - fundo que administra a aposentadoria dos funcionários do Estado.
Rossoni disse que pretende perguntar detalhes sobre a aplicação do dinheiro no banco, já que ''o governador Requião sempre disse que os recursos públicos deveriam ficar em bancos públicos''. O líder da oposição também sugere que a aplicação teria sido autorizada apenas pelo diretor financeiro do fundo, sem participação de todos os membros da diretoria. ''Se a informação for correta, o funcionário deve ser demitido. É um volume alto de recursos.''
Procurado pela reportagem, Mario Lobo Filho disse que as aplicações ''tiveram total lisura''. Segundo ele, a política de investimentos da ParanaPrevidência está focada em títulos públicos, adquiridos através de leilão do Tesouro Federal. Quando vencem os papéis do Tesouro Federal, o resgate é reaplicado em fundos de instituições financeiras. ''Mas 95% dos papéis são título públicos. Apenas o restante é aplicado nos bancos, porque a gente precisa de um capital de giro.'. No início de abril, R$ 390 milhões foram aplicados no Pactual e em outros cinco bancos.
Lobo Filho, que assumiu a diretoria fincanceira em junho do ano passado, reforça ainda que as aplicações no banco Pactual não são novidade, pois ocorreriam desde 2002. Ele afirma ainda que a ParanaPrevidência também aplicou dinheiro em outros bancos privados, no Bradesco (R$ 80 milhões) e no Unibanco (R$ 50 milhões), mas enfatiza que a maior parte dos recursos (R$ 210 milhões) permanece em bancos públicos. ''É natural'', afirma ele. Lobo Filho acrescenta que operações do tipo só precisam ser autorizadas pelo diretor financeiro e pelo diretor-presidente da ParanaPrevidência, o que teria ocorrido.
Outra questão que deverá ser levantada pela oposição diz respeito à quantia devida pelo governo ao fundo. ''A informação que chega é que o Estado não vem depositando a sua parte no fundo, só a parte dos funcionários'', afirmou Rossoni. No balanço de 2006, o governo teria jogado R$ 600 milhões devidos à ParanaPrevidência na dívida de longo prazo para, segundo Rossoni, ''maquiar o rombo nas contas'' daquele ano. No ano passado, a oposição afirmou que o ''calote'' no fundo poderia atingir R$ 1 bilhão até o final de 2007. Lobo Filho disse que não conhecia as questões referentes ao suposto ''calote'', já que é responsável especialmente pelas aplicações do fundo.

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