A oposição vai tirar proveito da crise na base de sustentação do governo ensinando o PFL a fazer ‘‘guerrilha parlamentar’’. O objetivo é derrubar projetos de interesse do Planalto. Por enquanto, há apenas uma promessa de parceria na votação da emenda constitucional que limita a edição de medidas provisórias. A tática mais abrangente será discutida de líder para líder na terça-feira, quando Miro Teixeira (PDT-RJ) procurará Inocêncio Oliveira (PFL-PE) em seu gabinete.
‘‘Tem gente com medo de patrulhamento, mas eu não vivo essa crise de identidade: precisamos tentar conseguir os votos do PFL porque, se não houver essa percepção, viraremos uma seita’’, afirma Miro. ‘‘Não são alianças, mas acordos civilizados: temos uma relação bem resolvida e cada um sabe o seu lado’’, define o deputado José Genoíno (PT-SP).
Inocêncio disse que tem muito interesse nas conversas. ‘‘Vou trabalhar com a oposição’’, garantiu ele, logo após perder a presidência da Câmara numa batalha em que a aliança PSDB-PMDB impôs o isolamento ao PFL. ‘‘Podemos ter entendimentos em torno de vários temas, de medidas provisórias à reforma política.’’
Somente após o Carnaval, porém, é que a executiva nacional do PFL decidirá como vai ser o relacionamento com o governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Em março também será escolhido o novo líder da bancada. Inocêncio tem chance de ser reconduzido ao cargo com discurso de centro-esquerda, condenando até a privatização do setor elétrico. Uma heresia para qualquer pefelista até a eleição no Congresso.
‘‘A convivência plural com o socialismo também é possível’’, argumenta Inocêncio. Para o deputado Ronaldo Caiado (PFL-GO), acordos com a oposição poderão render ‘‘muitos frutos’’. ‘‘Cansamos de ser um partido coadjuvante’’, protesta.
O presidente do PT, deputado José Dirceu (SP), admite ser possível retomar acertos ‘‘pontuais’’ com o PFL, como o que derrubou a medida provisória alterando a data de pagamento dos servidores. O prejuízo do governo com aquela derrota foi calculado em R$ 3 bilhões.
‘‘Assuntos assim justificam o PT votar com qualquer bancada’’, ressalva Dirceu. ‘‘Mas temos claro que o senador Antônio Carlos Magalhães é nosso principal adversário na Bahia e, na hora H, quem dá o chute na porta é o PFL.’’

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