Brasília - O PSDB e o PFL vão pedir hoje ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a suspensão dos repasses ao PT de dinheiro do Fundo Partidário, que distribui recursos públicos a todas as legendas e neste ano garantiria R$ 35 milhões à sigla do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os partidos de oposição também querem que a mesma punição seja aplicada ao PTB. Trata-se de uma reação à versão apresentada pelo ex-tesoureiro Delúbio Soares e pelo empresário Marcos Valério Fernandes de Souza para o financiamento do PT por meios ilegais. De acordo com essa versão, as agências de publicidade de Valério tomaram na rede bancária empréstimos que foram entregues ao PT. Como essas agências têm contratos com estatais, os partidos de oposição alegam que o PT foi beneficiado por uma espécie de triangulação, recebendo de forma indireta contribuições de empresa pública, o que é proibido pelo artigo 31 da Lei Orgânica dos Partidos Políticos (Lei 9.096/95). O PTB teria se beneficiado do mesmo esquema, ao receber do PT dinheiro para custear campanhas eleitorais.
O PT tem direito à maior fatia do Fundo Partidário, que é distribuído de acordo com o número de deputados eleitos por cada legenda. Pertence ao partido de Lula a maior bancada na Câmara, com 91 integrantes. Antes da crise que atingiu o PT, o orçamento oficial da legenda para 2005 era de R$ 45 milhões.
''Ao buscar um empréstimo de R$ 15,9 milhões junto ao BMG, o empresário Marcos Valério ofereceu como garantia um contrato de publicidade com os Correios, contrato esse assinado no atual governo'', disse o líder do PFL no Senado, José Agripino Maia (RN). ''E esse dinheiro, ao que consta, foi entregue ao PT. Está claro que o partido recebeu verba de empresa pública, o que fere a Lei Orgânica dos Partidos.''
Mais radical do que Agripino, o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio Neto (AM), disse que, diante da crise, além de suspender os repasses do fundo, é preciso colocar sub judice os mandatos dos suspeitos de receber dinheiro do caixa 2 e investigar todos os empréstimos para o PT. Virgílio lembrou as entrevistas em que Marcos Valério e Delúbio Soares admitiram que o PT tinha caixa 2. E julgou que a situação se agravou com a entrevista do presidente Lula concedida a uma repórter free-lancer em Paris, afirmando que seu partido fez o mesmo que outras legendas fazem. ''A pilhagem do PT na Nação é semelhante ao que era feito no passado, quando tropas invadiam as cidades e tiravam tudo o que tinham. A diferença é que agora não há uma batalha, não há um combate. Há corrupção, desvios, entrevistas fajutas, mensalão'', atacou.
Já o senador Alvaro Dias (PSDB-PR), que inicialmente quis cassar o registro do PT no TSE e recuou em favor da ação dos partidos de oposição de bloqueio do fundo partidário, disse que no caso das entrevistas de Lula, Marcos Valério e Delúbio, foi ''montada uma farsa, uma versão medíocre, uma triangulação''. ''Houve uma combinação que envolve o Poder Executivo, o Marcos Valério e o PT. A entrevista do presidente Lula foi gravada antes que concedessem suas entrevistas Valério e Delúbio. Portanto, o presidente sabia de antemão o teor das entrevistas de Valério e Delúbio. Essa combinação subestima a inteligência dos brasileiros e faz com que tenha clareza solar a existência da triangulação. O crime eleitoral é grave'', disse o senador.

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