Oposição quer retomar CPI da Sercomtel
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terça-feira, 06 de março de 2001
Luciana Pombo De Curitiba 
Quase dois anos após a tentativa frustrada de instalação e execução de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a relação financeira entre a Copel, o Banco FonteCindam e a Sercomtel, o assunto volta a ser palco de discussões na Assembléia Legislativa. Os deputados de oposição tentam negociar com a situação para que sejam instaladas após o dia 15 cinco novas CPIs. Duas delas propostas pelos deputados: a CPI da Sercomtel/Copel e a CPI de Paolicchi. Desistimos das outras CPIs por hora. Acreditamos numa negociação com os deputados de apoio ao governo, afirmou Orlando Pessuti (PMDB), líder da oposição na Assembléia.
A CPI da Sercomtel chegou a ser instalada em meados de 1999, mas não sobreviveu por mais de 24 horas. Todos os deputados de situação que haviam assinado o requerimento resolveram retirar as assinaturas e o presidente da Casa extinguiu a comissão.
Durval Amaral (PFL), hoje líder do Governo, foi um dos principais articuladores da CPI. Ele justificou a retirada dos nomes dos parlamentares da comissão por um pedido feito pelo então presidente da Assembléia, Aníbal Khury (PFL). Para ele, a CPI não teria qualquer motivo hoje para ser instalada porque todas as relações financeiras entre Copel e Sercomtel foram investigadas satisfatoriamente pelo Ministério Público.
A principal dúvida dos parlamentares era a compra de 45% das ações da Sercomtel realizada pela Copel, num valor de R$ 186 milhões. Do total, R$ 39 milhões teriam sido pagos diretamente ao Banco FonteCindam.
Os deputados diziam que a dívida original era de R$ 21,7 milhões. Outros R$ 115 milhões teriam sido destinados para a prefeitura, R$ 13 milhões teriam ficado com a Sercomtel e o restante teria sido pago ao Banestado que tinha ações da Sercomtel caucionadas. Toda a operação foi feita às escuras. A investigação neste momento poderia nos auxiliar a desvendar alguns mistérios na Copel e impedir a privatização, assegurou Pessuti.
O Chefe da Casa Civil, Alceni Guerra, disse que não acredita que seja necessária uma CPI para investigar fatos que estão sob a mira do MP. A CPI não pode ser banalizada e transformada em um fórum de julgamento meramente político.


