Os partidos de oposição vão usar a pressão popular como um último recurso para criar a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista – com deputados e senadores – da corrupção. A oposição reconhece que não tem outro meio de convencer os deputados a assinar o pedido senão a pressão do eleitor. ‘‘Para termos as assinaturas, tem de haver um fato novo e esse fato será a mobilização popular’’, afirmou ontem o líder do PT na Câmara, Walter Pinheiro (BA).
Para haver a CPI mista são necessárias as assinaturas de 27 senadores e 171 deputados – mas a oposição só tem o apoio de 130 deputados. Os partidos e entidades de classe, como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) pretendem concluir a mobilização com uma grande marcha a Brasília no dia 27 de junho, a exemplo do que foi feito em agosto de 1999 com a chamada ‘‘Marcha dos 100 mil’’.
A manifestação vai explorar três motes: as denúncias de corrupção, o apagão e o que a oposição chama de ‘‘desgoverno’’ – a falta de unidade no Executivo, manifestada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso ao culpar os ministros do PFL pela crise energética. O PT também vai incluir o assunto no seu programa de TV, que irá ao ar no dia 28.
Ontem, em São Paulo, a OAB promoveu um ato público contra a corrupção, a impunidade e as medidas adotadas para amenizar a crise de energia. Um dos pontos do manifesto divulgado pela Ordem, durante o evento, pregava o voto aberto na sessão de hoje do Conselho de Ética, que decidirá ou não pela cassação de ACM e José Roberto Arruda.

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