Oposição quer obstruir pauta de votações da AL
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quarta-feira, 20 de maio de 2015
Rubens Chueire Jr.<br>Reportagem Local 
Curitiba Em mais uma tentativa de pressionar o governo a encaminhar para a Assembleia Legislativa (AL) o projeto de reajuste do funcionalismo estadual, deputados da oposição vão tentar obstruir temporariamente a pauta de votação da Casa, principalmente aqueles textos de interesse do Executivo, já a partir da próxima segunda-feira. Para que a manobra tenha sucesso, entretanto, é necessário que parte da base aliada, que inclusive já declarou que não concorda com o índice de 5% para os servidores, se posicione frente à questão.
A proposta seria que deputados governistas e oposicionistas deem o recado, forçando o próprio governo a adotar um porcentual maior no índice de reajuste, chegando inclusive aos 8,17%. A estratégia é difícil de ser colocada em prática até porque a bancada aliada ainda aposta num canal de negociação com o Executivo para conseguir rever o reajuste já proposto. "Vamos fazer a nossa parte, se vai dar certo ou não, vamos depender do apoio dos demais deputados", afirmou Requião Filho (PMDB).
A obstrução da pauta de votação é prática comum no Congresso Nacional, mas na AL nunca foi feito, pelo menos mais recentemente. "Obstruir é uma situação legal é um direito, agora é óbvio que sabemos que dependemos muito de deputados que não são necessariamente de oposição. Não acho que vamos fazer isso com facilidade, por outro lado, é difícil pois os deputados têm receio de esvaziar as sessões e não votar determinados projetos, mas tenho dito que vamos tentar", disse o líder da oposição Tadeu Veneri (PT).
Ao menos 27 dos 54 parlamentares da Casa teriam que faltar às sessões para que a estratégia da oposição desse certo, número superior aos 20 que votaram contra o projeto do Paranaprevidência no fatídico dia 29 de abril, por exemplo. Oficialmente, a oposição conta com seis parlamentares, mais os três que já assinaram favoravelmente para a instauração da CPI da Receita Estadual: Tadeu Veneri, Professor Lemos e Péricles de Mello (PT); Requião Filho, Nereu Moura e Anibelli Neto (PMDB); Nelson Luersen, do PDT; Tercílio Turini, do PPS; e Márcio Pacheco, do PPL.
INDEFINIÇÃO
O deputado Ney Leprevost (PSD), que faz parte da base aliada, informou que ainda não tinha sido procurado pela liderança da oposição para conversar sobre a possibilidade de obstrução, mas disse que vai analisar a ideia. "Se entender que ela é eficiente para pressionar o governo a encaminhar um reajuste de 8,17%, estarei me unindo nessa questão especificamente. Defendo com veemência este índice para os servidores", destacou.
RECUO?
A base aliada do governo, por outro lado, defende uma reabertura das negociações, e já demonstra que vai se movimentar para barrar qualquer tentativa de obstrução das votações. Segundo o líder do governo na Assembleia, Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), depois de uma reunião de mais de quatro horas com o secretário da Fazenda, Mauro Ricardo Costa, e com o secretário da Casa Civil, Eduardo Sciarra (PSD), deputados da base aliada reforçaram a necessidade de que os servidores não podem ter perdas e frisaram que a proposta de 5% não passa na Assembleia. "Temos que sentar com o Fórum das Entidades para negociarmos. A bancada de apoio do governo quer uma solução negociável, vamos buscar o diálogo e manifestamos isso para a Fazenda e para a Casa Civil", indicou.


