Oposição quer levar às ruas apoio à moratória
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quarta-feira, 13 de janeiro de 1999
Oswaldo Buarim Jr. e Abnor Gondim Agência Folha 
Os partidos de oposição PT, PDT, PC do B e PSB, aliados a uma dissidência do PMDB, decidiram ontem transformar o apoio à moratória decretada pelo governador Itamar Franco em manifestações de rua contra o governo Fernando Henrique Cardoso. Um dos atos contra FHC foi marcado para a próxima segunda-feira em Belo Horizonte, onde, a convite de Itamar, estarão seis governadores eleitos pela oposição.
O governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho (PDT), que criticou a moratória decretada por Itamar, confirmou presença na reunião. Além dele e do próprio Itamar, irão participar ainda os governadores petistas Jorge Viana (AC), Zeca do PT (MS) e Olívio Dutra (RS). O PSB estará representado por João Alberto Capiberibe (AP) e Ronaldo Lessa (AL). O encontro vai discutir a situação financeira dos Estados e a possibilidade de uma ação conjunta para pressionar o governo federal a renegociar as dívidas estaduais com a União. A oposição quer aproveitar e fazer uma passeata da Assembléia Legislativa ao Palácio da Liberdade, sede do governo mineiro.
Antes dessa manifestação, os líderes oposicionistas farão, nesta sexta-feira, um ato de apoio aos metalúrgicos demitidos pela Ford, no ABC paulista. Estarão no portão da fábrica os presidentes do PT, José Dirceu, e do PDT, Leonel Brizola. Com isso, os partidos de oposição esperam contar com a participação da CUT e de sindicatos a ela filiados na passeata de segunda-feira.
A oposição acha que tem condições de iniciar uma onda de protestos, a partir de Minas Gerais, contra a política econômica de FHC, cuja equipe está conduzindo um programa de ajuste fiscal em acordo com o FMI. Brizola, autor da proposta de mobilização popular, disse que o objetivo do protesto é colocar o governo federal contra a parede . E, se necessário, livrar o País desse governo como nos livramos da ditadura, completou.
O presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou que a oposição quer responder à declaração de guerra que o governo federal fez a Itamar. Segundo Lula, Itamar fez um gesto ao governo federal para indicar que não tinha dinheiro para cumprir os compromissos do Estado. E o governo federal fez um tempestade por causa de uma bobagem, uma merreca de dívida, disse ele.


