Brasília - Em reação ao relatório oficial, a oposição vai apresentar um voto em separado pedindo o indiciamento dos ministros do atual governo que usaram irregularmente o cartão corporativo. A oposição, seis dias depois de apresentar relatório parcial sem denunciar nenhum dos envolvidos na montagem de dossiê contra o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, está disposta a pedir o indiciamento da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e de suas assessoras Erenice Guerra e Maria Soledad, que teriam coordenado a elaboração de dossiê contra FHC.
''O único caminho que temos é pedir o indiciamento da ministra Dilma. Ele disse que não há dossiê e faltou com a verdade. Não tem como não pedir o indiciamento'', defendeu ontem a presidente da CPI Mista, senadora Marisa Serrano (PSDB-MS). Os tucanos e os democratas vão tentar fazer até quinta-feira um texto conjunto com os pedidos de indiciamento. Não há, no entanto, nenhuma chance de o voto em separado da oposição ser incorporado ou aprovado pelos integrantes da comissão de inquérito. O governo tem maioria folgada na CPI e, ao longo de 83 dias de funcionamento e 17 reuniões, não permitiu o aprofundamento das investigações nem deixou nenhum requerimento de quebra de sigilo ser aprovado.
No relatório parcial apresentado, na semana passada, pelos deputados Índio da Costa (DEM-RJ) e Carlos Sampaio (PSDB-SP) não há uma única menção a ministra Dilma. No sub-relatório, os deputados responsabilizaram apenas José Aparecido Nunes Pires, ex-secretário de Controle Interno da Casa Civil, pelo dossiê contra FHC.
''Não me curvei, não me quedei inerte'', afirmou ontem Sampaio, ao afastar a hipótese de acordo com o governo. O tucano prometeu incluir no novo relatório a representação que fez ao Ministério Público Federal, há dez dias, em que pede a condenação de Dilma Rousseff por ato de improbidade administrativa e o indiciamento de ministros envolvidos com o mau uso do cartão corporativo, como Matilde Ribeiro (ex-ministra da Igualdade Racial) e Orlando Silva (Esportes). (E.L.)

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