Oposição quer incluir na CPI suspeita sobre Repar
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 19 de junho de 2014
Reportagem Local 
A oposição no Congresso Nacional quer investigar na CPI mista da Petrobras a suspeita de que o grupo do doleiro Alberto Youssef e do ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa também atuou de forma fraudulenta na Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), situada no Paraná, na cidade de Araucária (região metropolitana de Curitiba). A suposta conexão foi revelada pela Folha de Londrina em abril. O Ministério Público Federal estabeleceu relação entre os desvios investigados na refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco, e supostas irregularidades na refinaria paranaense. Nesta semana, reportagem do jornal O Estado de S. Paulo também trouxe a suspeita à tona.
O deputado paranaense Rubens Bueno, líder do PPS, apresentou à CPI três requerimentos. Em um deles, pede cópia de todos os contratos firmados pela Petrobras com empreiteiras para obras de modernização da Repar. Nos outros dois, solicita cópias dos documentos relacionados à Repar produzidos pela Polícia Federal e enviados ao juiz federal Sergio Moro, responsável pelos processos decorrentes da operação Lava Jato, que expôs a ligação de Youssef e Paulo Roberto com as irregularidades em Abreu e Lima.
O líder do Solidariedade, o também paranaense Fernando Francischini, divulgou uma nota para dizer que, na próxima semana, vai apresentar à CPI mista um requerimento de convocação dos dirigentes da Repar. Segundo ele, os diretores precisam prestar esclarecimentos sobre a relação feita pelo MPF entre desvios em Abreu e Lima e na Repar. Nos bastidores, no entanto, oposicionistas afirmam não apostar na aprovação dos requerimentos por causa da maioria governista que domina a comissão.
A suspeita é que o dinheiro de contratos superfaturados da Repar podem ter abastecido empresas ligadas ao doleiro Alberto Youssef e ao ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, ambos presos pela operação Lava Jato da Polícia Federal.
Relatório produzido pelos procuradores afirma que existe "conexão entre os desvios" investigados pela operação Lava Jato em Abreu e Lima e as supostas irregularidades na Repar. O documento foi enviado ao juiz federal Sergio Moro, responsável pela Lava Jato. Em decisão de 12 de maio, ele reconheceu a conexão entre os casos pernambucano e paranaense. "Quantas mais refinarias da Petrobras essa organização criminosa usou para desviar os recursos públicos para benefício próprio e para alimentar essa máquina de corrupção?", questionou Francischini na nota que divulgou.
Os requerimentos dos oposicionistas vêm em um período tumultuado da CPI. Além de a comissão estar esvaziada por causa da Copa do Mundo, a maioria governista que compõe a comissão tenta jogar o foco da investigação para fatos ocorridos durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, um dos principais símbolos do PSDB e da oposição. Os governistas querem levar para depor na CPI José Jorge, que hoje é ministro do Tribunal de Contas da União, mas foi ministro de Minas e Energia no governo FHC e responde a uma ação iniciada em 2001 que aponta um prejuízo de US$ 2,3 bilhões para a Petrobras por causa de uma operação de troca de ativos com a empresa ibero-argentina YPF.
O objetivo da base do governo é contrapor esse episódio com a compra da refinaria de Pasadena, nos EUA, durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva - um negócio que teria, segundo a Petrobras, causado um prejuízo de US$ 530 milhões. Além disso, Jorge é o relator, no TCU, das apurações sobre Pasadena. (com Agência Estado)


