Oposição quer impedir posse de Emília
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quinta-feira, 08 de junho de 2000
Rubens Burigo Neto De Curitiba 
A bancada de oposição ao governo Jaime Lerner (PFL) na Assembléia Legislativa vai ingressar com uma medida cautelar no Tribunal de Justiça solicitando o impedimento e consequente afastamento da vice-governadora Emília Belinati (PTB) do cargo, assim que for oficializado o pedido de mais uma viagem internacional do governador. A oposição quer impedir que Emília assuma durante os cinco dias em que Lerner estiver no EUA, acompanhando a mulher, Fani Lerner, que vai fazer exames médicos. A viagem, marcada para a noite da próxima terça-feira está confirmada pela assessoria de imprensa do governador.
O marido dela (o prefeito afastado de Londrina, Antônio Belinati, PFL) já está impedido de trabalhar, para não interferir nas investigações do Ministério Público. Se a Dona Emilia assumir ou prosseguir na vice-governadoria também poderá atrapalhar a apurações das denúncias, justificou o líder da bancada de oposição, Irineu Colombo (PT). A assessoria de imprensa de Lerner informou ontem que a mensagem do Poder Executivo solicitando a autorização para a viagem do governador pode ser protocolada hoje ou segunda-feira na mesa executiva da Assembléia. Ainda segundo a assessoria, não há qualquer impedimento legal ou constitucional para Emília assumir o governo enquanto Lerner estiver viajando.
Os deputados oposicionistas passaram a se manifestar com mais contundência contra a permanência de Emília como vice-governadora em 15 de maio, quando o juiz Celso Saito, da 6º Vara Cível de Londrina, determinou o afastamento do prefeito da cidade, a indisponibilidade e a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico dele, da mulher, do filho o deputado estadual Antonio Carlos Belinati (PSB) e de outras duas filhas do casal.
O Ministério Público investigou a corrupção na Prefeitura de Londrina e encontrou fraudes em licitações na Companhia de Urbanização de Londrina (Comurb). As licitações envolvem, inicialmente, recursos de R$ 3,3 milhões, conforme denúncia já apresentada pelos promotores Cláudio Esteves, Solange Vicentin e Bruno Galatti. Parte deste dinheiro teria sido desviado para pagar despesas pessoais do prefeito e da vice-governadora, além da campanha eleitoral do governo e do deputado estadual, Antonio Carlos Belinati.
No dia seguinte à decisão e em meio a boatos de que estaria prestes a viajar, para o exterior Lerner divulgou uma nota oficial declarando que sempre que assumiu a chefia do Governo do Estado, a vice-governadora Emília Belinati provou lealdade e capacidade na defesa dos interesses do Paraná. Agiu sempre com postura ética, o que a faz merecedora do respeito e reconhecimento públicos. Daí em diante, o discurso passou a ser adotado quase inteiramente pelos governistas.
O líder do governo na AL, Valdir Rossoni (PTB), repetiu ontem: Temos que cumprir a lei. Sempre que a vice assumiu como governadora teve postura ética e, dessa vez, não vai ser diferente, assegurou. A opinião pensa diferente: Apesar das condições legais, ela não tem condições morais para assumir no lugar do governador, argumentou Edson Strapasson (PMDB).


