A bancada de oposição ao governo Jaime Lerner (PFL) na Assembléia Legislativa vai ingressar com uma medida cautelar no Tribunal de Justiça solicitando o impedimento e consequente afastamento da vice-governadora Emília Belinati (PTB) do cargo, assim que for oficializado o pedido de mais uma viagem internacional do governador. A oposição quer impedir que Emília assuma durante os cinco dias em que Lerner estiver no EUA, acompanhando a mulher, Fani Lerner, que vai fazer exames médicos. A viagem, marcada para a noite da próxima terça-feira está confirmada pela assessoria de imprensa do governador.
‘‘O marido dela (o prefeito afastado de Londrina, Antônio Belinati, PFL) já está impedido de trabalhar, para não interferir nas investigações do Ministério Público. Se a Dona Emilia assumir ou prosseguir na vice-governadoria também poderá atrapalhar a apurações das denúncias’’, justificou o líder da bancada de oposição, Irineu Colombo (PT). A assessoria de imprensa de Lerner informou ontem que a mensagem do Poder Executivo solicitando a autorização para a viagem do governador pode ser protocolada hoje ou segunda-feira na mesa executiva da Assembléia. Ainda segundo a assessoria, não há qualquer impedimento legal ou constitucional para Emília assumir o governo enquanto Lerner estiver viajando.
Os deputados oposicionistas passaram a se manifestar com mais contundência contra a permanência de Emília como vice-governadora em 15 de maio, quando o juiz Celso Saito, da 6º Vara Cível de Londrina, determinou o afastamento do prefeito da cidade, a indisponibilidade e a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico dele, da mulher, do filho – o deputado estadual Antonio Carlos Belinati (PSB) – e de outras duas filhas do casal.
O Ministério Público investigou a corrupção na Prefeitura de Londrina e encontrou fraudes em licitações na Companhia de Urbanização de Londrina (Comurb). As licitações envolvem, inicialmente, recursos de R$ 3,3 milhões, conforme denúncia já apresentada pelos promotores Cláudio Esteves, Solange Vicentin e Bruno Galatti. Parte deste dinheiro teria sido desviado para pagar despesas pessoais do prefeito e da vice-governadora, além da campanha eleitoral do governo e do deputado estadual, Antonio Carlos Belinati.
No dia seguinte à decisão e em meio a boatos de que estaria prestes a viajar, para o exterior Lerner divulgou uma nota oficial declarando que ‘‘sempre que assumiu a chefia do Governo do Estado, a vice-governadora Emília Belinati provou lealdade e capacidade na defesa dos interesses do Paraná. Agiu sempre com postura ética, o que a faz merecedora do respeito e reconhecimento públicos.’’ Daí em diante, o discurso passou a ser adotado quase inteiramente pelos governistas.
O líder do governo na AL, Valdir Rossoni (PTB), repetiu ontem: ‘‘Temos que cumprir a lei. Sempre que a vice assumiu como governadora teve postura ética e, dessa vez, não vai ser diferente’’, assegurou. A opinião pensa diferente: ‘‘Apesar das condições legais, ela não tem condições morais para assumir no lugar do governador’’, argumentou Edson Strapasson (PMDB).

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