Curitiba - A oposição ao governador Roberto Requião (PMDB) na Assembléia Legislativa quer que o peemedebista se explique sobre o suposto envolvimento com as eleições presidenciais do Paraguai, marcadas para abril.
Segundo a última edição da revista Isto É, Requião apoiaria, nos bastidores, a candidatura do ex-bispo católico Fernando Lugo à presidência do país vizinho. A revista destaca que o Itamaraty prefere a vitória do general da reserva Lino Oviedo, alinhado com a política externa do presidente Lula (PT). Lugo é o nome da ala oposicionista.
Requião, aliás, já recebeu Oviedo no Palácio das Araucárias, dia 18 de janeiro. Oviedo também foi recebido em Brasília, um dia antes, pelo presidente Lula, a quem prometeu trabalhar para fortalecer o Mercosul.
O deputado estadual Valdir Rossoni (PSDB), líder da bancada de oposição no Poder Legislativo, promete cobrar explicações ''minuciosas e convincentes a respeito do envolvimento do governo do Paraná na campanha do bispo Fernando Lugo''.
Rossoni disse à FOLHA, por telefone, que na próxima segunda-feira, quando a Casa reabre os trabalhos, vai fazer uma reunião com os demais deputados da oposição para definir uma viagem ao Paraguai. ''Vamos discutir como vamos agir'', afirmou.
De acordo com a revista, os opositores de Lugo no Paraguai trabalham com a hipótese de que a entrada de Requião na campanha do bispo ''atenda a um pedido do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, com quem o governador paranaense cultiva uma antiga relação de amizade e respeito''. ''É inadmissível e absurdo que o governo do Paraná se envolva na eleição presidencial de outro país'', comentou Rossoni.
No ano passado, Lugo, então pré-candidato presidencial, anunciou que se for eleito denunciará o Brasil na Corte Internacional de Haia, caso não sejam corrigidas supostas injustiças no tratado da usina de Itaipu. A Itaipu binacional é a maior hidrelétrica do mundo em geração de energia.
O tratado foi assinado em 1973, durante as ditaduras militares nos dois países, e permitiu a construção da represa de Itaipu. Setores empresariais e políticos apontam, há anos, que o tratado teria desigualdades, como a obrigação que o Paraguai tem de ceder apenas ao Brasil seu excedente da metade da energia que lhe corresponde, a um preço baixo em relação aos patamares de mercado.
Segundo a assessoria de imprensa do Palácio das Araucárias, o governo estadual não vai comentar o assunto.

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