Opositores do presidente do Congresso, senador Jader Barbalho (PMDB-PA), querem que ele vá à tribuna se explicar sobre as denúncias que o apontam como chefe de um esquema de venda de Títulos da Dívida Agrária (TDAs) emitidos de forma fraudulenta quando ele era ministro do governo do então presidente José Sarney, hoje senador pelo PMDB do Amapá.
A estratégia é fazer com que Jader, ao se defender, caia em contradição ou, depois, com o surgimento de novos indícios ou provas, seja desmentido pelos fatos. Com isso, teriam em mãos o motivo real que justificaria a quebra do decoro parlamentar, permitindo ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado abrir um processo que poderia levar à cassação dele.
A dificuldade do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado em abrir qualquer investigação com base nessas novas denúncias está no fato de que todos os crimes dos quais Jader é acusado teriam ocorrido antes de ele estar no Senado e, portanto, não haveria a justificativa de quebra de decoro parlamentar, tornando o assunto, exclusivamente, da alçada da Justiça.
Além disso, um pedido de representação agora contra Jader no Conselho de Ética poderia ser, facilmente, arquivado, encerrando, definitivamente, o processo. Foi uma mentira à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Judiciário no Senado que levou o então senador Luiz Estevão (PMDB-DF) à cassação. Da mesma forma, os discursos na tribuna do Senado, depois desmentidos pelos fatos, que pesaram contra os então senadores Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) e José Roberto Arruda (sem partido-DF).
Preocupado com a evolução das denúncias, Jader começou a procurar integrantes do Conselho de Ética para apresentar a versão para os fatos. O senado Antero de Barros (PSDB-MS) contou que, na sexta-feira, recebeu um telefonema de Jader, informando que tinha tomado a iniciativa de pedir a investigação ao procurador da República.
Por causa do pedido de Jader ao procurador da República, o ministro da Justiça, José Gregori, determinou que a Polícia Federal (PF) instaure hoje um novo inquérito para apurar a suposta venda de TDAs. ‘‘Determinei à PF que, nas primeiras horas, abra o inquérito nos termos pedidos pelo presidente do Senado e do procurador da República’’, afirmou o ministro. Segundo ele, como foi o autor do pedido de investigações, Jader poderá ser chamado para depor.

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