A bancada de oposição da Assembléia Legislativa quer uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Copel para investigar a dívida que o governo do Estado tem com o Banco Itaú, novo controlador do Banestado. Os deputados conseguiram ontem 23 assinaturas – cinco a mais que o número necessário para instalar a comissão, que também vai investigar todas as operações feitas pela companhia de energia nos últimos anos. Entretanto, as investigações terão que esperar, porque sete CPIs aguardam na fila para serem instaladas.
O débito que os deputados querem investigar – e sobre o qual já admitiram não ter conhecimento – refere-se ao resgate das ações da estatal colocadas em caução de operação financeira envolvendo títulos podres emitidos para pagar precatórios de Estados e municípios. Por isso, parte do dinheiro da privatização da Copel terá de ser usada pelo governo para pagar dívida que o Estado tem com o Itaú. A caução tem valor de R$ 415 milhões, sem correção.
Os oposicionistas querem apurar também todo o processo de venda (que o Palácio Iguaçu pretende concretizar em outubro ou novembro), a compra de 45% das ações da Sercomtel (efetivada em 1998), aquisição de títulos podres e aposentadorias irregulares. Segundo o líder do PMDB na Assembléia, Nereu Moura, foram concedidas aposentadorias ‘‘com salários de marajᒒ.
O pedido de instalação da CPI foi mais uma estratégia da oposição na tentativa de barrar a privatização. O líder do governo, Durval Amaral (PFL), criticou a iniciativa. ‘‘Será que eles não percebem que isso só vai servir para desvalorizar a empresa, derrubando o valor das ações?’’, provocou. O secretário-chefe da Casa Civil, Alceni Guerra, disse que o Palácio Iguaçu está confiante em sua base de apoio e que o cronograma de venda não será alterado.
O presidente da Casa, Hermas Brandão (PTB) não pretende conceder prorrogação de prazo às novas CPIs que forem instaladas. Elas devem durar em média 120 dias. Mesmo assim, a CPI da Copel deve demorar meses para ser criada. O líder do PPB, Tony Garcia, já apresentou projeto para criar uma CPI para investigar a Copel, mas ainda não foi apreciado.
Os deputados avaliam que as 23 assinaturas são uma espécie de ‘‘termômetro’’, revelando quem está efetivamente contra a privatização. O painel montado pelo Fórum Popular Contra a Venda da Copel contabiliza 26 contra, 19 a favor e nove indecisos. O líder da oposição, Waldyr Pugliesi (PMDB), disse que a ‘‘grande cartada’’ da oposição é o projeto de iniciativa popular impedindo a venda da Copel, que será apresentado em junho.
José Maria Ferreira (PSDB) disse que vai dar entrada hoje pela manhã com uma ação popular (com pedido de liminar) contra o governo do Paraná, por propaganda enganosa em relação à venda da Copel. Segundo ele, a ação que pede suspensão da campanha publicitária, ressarcimento do montante gasto e desmentido público, será movida contra o governador Jaime Lerner (PFL) e o secretário da Fazenda e presidente da Copel, Ingo Hubert.

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