Oposição quer CP contra vice
Antes da decisão favorável à permanência de Emília Belinati (PTB) como governadora em exercício, a bancada de oposição na Assembléia Legislativa já anunciava que iria brigar pela criação de uma comissão processante para investigar a participação dela no escândalo AMA-Comurb. A intenção foi comunicada pelo deputado Ângelo Vanhoni (PT), durante pronunciamento no plenário da Assembléia ontem pela manhã.
O cargo (de vice-governadora) não pode ser manchado por nenhuma mácula e está claro que não podemos formular nenhum juízo antes de uma decisão final da Justiça. Mas a dona Emília está tentando preservar um cargo que não é dela, justificou Vanhoni. Na opinião do deputado, a partir do momento que a Justiça determinou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico da governadora em exercício, a participação dela no escândalo passou para um grau de severidade que não pode ser encarado como uma simples denúncia.
O presidente da Assembléia, Nelson Justus (PTB), afirmou que o pedido de uma comissão processante é inédito no Legislativo do Paraná. Se vier um pedido como esse, que venha bem embasado para que possamos estudá-lo com rigor, avisou.
O deputado Nereu Moura, líder do PMDB na Assembléia, afirmou que Emília usou um discurso pueril, que a população não aguenta mais ouvir, para criticar a bancada de oposição. Anteontem, ao assumir o governo, a vice-governadora considerou antidemocrática e meramente política a atitude dos parlamentares.
Moura disse que, desde quando estourou o escândalo AMA-Comurb em Londrina, os deputados torceram para que Emília saísse ilesa das denúncias e que sentiram tristeza e decepção ao saber que o nome dela havia sido denunciado pelo Ministério Público. Esperávamos que ela se defendesse dessas tantas acusações. Mas, ao contrário, tenta desqualificar nossa ação parlamentar séria. Tudo isso poderia ter sido evitado se ela própria tivesse pedido o afastamento do cargo até o encerramento das investigações. (R.B.N.)





