A oposição do prefeito Jocelito Canto (sem partido), na Câmara Municipal de Ponta Grossa, deu nesta semana o primeiro passo para um julgamento político do prefeito. Oito dos 21 vereadores assinaram documento que pede a instalação de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para investigar o uso de dinheiro público na viagem de Jocelito ao Rio de Janeiro, onde teria havido o delito sexual.Eles também apoiaram requerimento de Pascoal Adura (PPB) que pede a criação de uma Comissão Processante (CP) para a cassação de mandato do prefeito, impeachment.
Apesar do número suficiente de assinaturas, a CPI não poderá ser instalada imediatamente. Terá de aguardar a conclusão de outras cinco que estão em tramitação, para entrar em funcionamento oficial. É o que diz o regimento interno da Câmara. Para a vereadora do PC do B, Ortência Matias da Rosa, a oposição está confiante na conclusão das demais investigações nos próximos dias, já que pelo menos três delas se arrastam desde setembro do ano passado. ‘‘Uma CEI que foi aberta por causa do pagamento irregular de horas extras a cargos comissionados, por exemplo, é ainda da gestão anterior (de Paulo Cunha)’’, contabiliza.
Já a Comissão Processante, que tem por objetivo a cassação de mandato, pode sair do papel de uma hora para outra, nos próximos dias. O presidente da Câmara Municipal, Roberto Mongruel (PSDB) disse ontem que encomendou do departamento jurídico estudo detalhado sobre a viabilidade desta figura prevista em decreto federal, no caso em específico. Amigo pessoal do prefeito, Mongruel diz saber separar as coisas nessas horas. ‘‘Somos poderes independentes e temos de manter uma distância respeitosa’’, avaliou.
Mongruel justifica a precaução. ‘‘Não queremos atropelar os fatos. Cassar o prefeito e a nossa decisão ser derrubada judicialmente, seria a nossa desmoralização’’, assinala. A vereadora do PC do B concorda. ‘‘Precisamos ter certeza de tudo o que vamos afirmar, para não cometermos injustiças e sermos colocados como vilões’’, reforçou. Os dois lembram que, uma vez instalada a CP por vontade da maioria, cinco parlamentares são designados para em 120 dias processar um relatório com reflexos políticos acerca do envolvimento do prefeito diante das acusações de crime sexual, feitas pela estudante Silvana de Lourdes Felipe.
A movimentação política dos vereadores de oposição fez a equipe jurídica de Jocelito Canto se manifestar. Na noite da última quarta-feira, o advogado do prefeito entregou em mãos para o presidente da Câmara as faturas contendo os custos da viagem ao Rio feita por Jocelito; pelo secretário da Indústria e Comércio, Erculano Lisboa; e pela moça. Ao todo, em passagens e estadia em hotel, foram gastos por volta de R$ 3,5 MIL. As diárias de Silvana, no entanto, não estão incluídas.

mockup