Oposição quer afastar conselheiro de ministério
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domingo, 09 de outubro de 2005
Diego Escosteguy e<br>Marcelo de Moraes<br> Agência Estado 
Brasília - Integrantes da CPI dos Correios e líderes dos partidos de oposição defenderam ontem o afastamento de Márcio Machado Caldeira, integrante do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. A CPI descobriu contatos telefônicos constantes de Caldeira com o empresário Marcos Valério e seus sócios, além do pagamento de pelo menos quatro passagens aéreas para o conselheiro.
Para o líder do PFL na Câmara, deputado Rodrigo Maia (RJ), o conselheiro ''deve ser afastado imediatamente'' da função. ''Essa relação mostra que a participação dele no Conselho está comprometida. Ele não deve permanecer dentro de um conselho tão importante e precisa de afastar imediatamente'', diz Rodrigo Maia.
O senador Álvaro Dias (PSDB-PR), titular da CPI dos Correios afirmou que a relação entre Márcio Caldeira e Marcos Valério é mais um prova da influência ''danosa'' do empresário no governo federal. ''Valério cooptou uma rede de coadjuvantes no governo Lula para fazer seus negócios'', criticou. ''Esse conselheiro deve ser afastado. Não tem mais condições de cuidar de qualquer interesse público dentro do Estado brasileiro'', argumentou.
Os dados de sigilos telefônicos quabrados da CPI mostram que Valério telefonou pelo menos 31 vezes para Márcio Machado Caldeira, um dos integrantes da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. Os dados referentes às chamadas feitas pela empresa Tolentino e Melo Assessoria Empresarial, de Rogério Tolentino e Cristiano Melo Paz, sócios de Valério, também registram outros 27 telefonemas para o conselheiro.
Todas essas ligações ocorreram no período entre 2002 e 2005. A agenda de Fernanda Karina Somaggio, ex-secretária de Valério, mostra que o empresário também pagou pelo menos quatro passagens aéreas para o conselheiro em 2003.
Caldeira admitiu que o celular registrado na CPI é de fato dele, embora afirme que jamais falou com Valério. Segundo o conselheiro, ele é amigo de José Roberto Melo, que prestaria ''consultoria tributária'' às empresas de Valério. ''Ele pode ter usado um dos telefones do Marcos Valério para falar comigo'', disse. Sobre as passagens, disse que viajava com Melo e que o amigo pagava os bilhetes. ''Não sei de onde saía o dinheiro'', contou.


