Oposição protocola CPI dos Correios
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quarta-feira, 18 de maio de 2005
Agência Estado 
Brasília - Pela primeira vez desde o início do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governo não teve força política para impedir que a oposição obtivesse as assinaturas necessárias para conseguir uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) desconfortável para o Palácio do Planalto. Os partidos de oposição entregaram ontem requerimento com 230 assinaturas de deputados e 46 de senadores para criação da CPI dos Correios na Câmara e no Senado.
A CPI vai investigar as denúncias de cobranças de propina por um esquema de extorsão nos Correios. No total, 101 deputados da base aliada apoiaram a CPI. No Senado, 10 senadores sete do PMDB e três do PTB também de partidos aliados assinaram o requerimento.
A formalização da CPI, no entanto, só vai ocorrer na próxima semana, quando o requerimento será lido em plenário pelo presidente do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL). Até lá os deputados que se arrependerem de terem contribuído com sua assinatura, poderão voltar atrás e retirá-la. E é com essa última cartada que o governo conta para derrubar a CPI. ''Você tem certeza de que vai ter CPI? Ainda tem muita água para rolar debaixo dessa ponte'', disse ontem à noite o líder do PT na Câmara, Paulo Rocha (PA), ao ser questionado se iria indicar os nomes dos petistas que vão integrar a CPI.
Para os aliados, o governo esperou 24 horas para começar a trabalhar para inviabilizar a CPI. Mesmo assim, os aliados estão confiantes de que será possível convencer deputados a retirar a assinatura do pedido de CPI. ''Eles (governistas) estão pressionando e nós sabíamos que isso ia acontecer'', disse o líder do PFL na Câmara, deputado Rodrigo Maia (RJ). ''Não temos pressa em coletar novas assinaturas, como a pressa que o governo tem de tentar retirá-las'', completou o pefelista, ao chegar no Senado para protocolar o pedido de CPI.
Na Câmara, o PT contribuiu com 18 assinaturas, a maior parte delas das correntes de esquerda do partido. Doze deputados, do total de 47 do PTB do deputado Roberto Jefferson (RJ), acusado de comandar suposto esquema de corrupção nos Correios, assinaram o requerimento. No PMDB, 26 deputados assinaram o pedido de CPI. No PL, nove dos 50 deputados apoiaram o pedido de CPI. No Senado, nenhum petista apoiou a CPI. Sete senadores do PMDB e três do PTB, ambos partidos da base aliada, assinaram o requerimento.
Assim que for publicado no Diário Oficial o pedido de abertura da CPI, as lideranças partidárias na Câmara e no Senado indicarão 15 senadores e 15 deputados, com seus respectivos suplentes, para compor a comissão. A CPI vai funcionar por 180 dias (seis meses).
No final da tarde de hoje, os presidentes da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), e Renan Calheiros vão se reunir para agendar a sessão do Congresso em que será lido o requerimento de criação da CPI, provavelmente no início da semana que vem. Segundo líderes da base aliada, ''é real'' a disposição dos líderes dos grandes partidos de apurar as denúncias, divulgadas em matéria da revista ''Veja'', e não há dúvidas de que PMDB, PSDB, PFL e PTB vão indicar seus representantes na comissão, o que garantiria o quórum necessário para a instalação da CPI, mesmo que o PT não faça indicações.


