Com o apoio de 40 deputados e 13 senadores governistas, a oposição protocolou ontem o pedido para instalação da CPI da Corrupção. A oposição entregou o requerimento com uma margem de 12 assinaturas a mais na Câmara e duas no Senado, mas já trabalha com a possibilidade de perder apoios. No total, assinaram o pedido 29 senadores e 183 deputados. A oposição desconsiderou três assinaturas na Câmara: as dos deputados Luciano Bivar (PSL-PE) e Osvaldo Biolchi (PMDB-RS), que anunciaram que vão retirar suas assinaturas, e a da deputada Alcione Athayde (PPB-RJ).
Alcione foi pressionada pelo governo até anteontem à noite a retirar sua assinatura. Como manteve a posição, perdeu sua vaga de deputada. O titular da cadeira, Francisco Dornelles (PPB-RJ), deixou o Ministério do Trabalho para invalidar a assinatura da suplente.
A oposição decidiu protocolar a CPI ontem, mesmo com uma margem menor de assinaturas, para mostrar que o governo está negociando com os congressistas a retirada de apoio. ‘‘A margem de manobra da oposição está associada ao caráter dos deputados’’, afirmou o líder do PT na Câmara, Walter Pinheiro (BA).
Representantes de entidades de classe, de igrejas e de sindicatos participaram da manifestação pró-CPI logo depois da entrega do requerimento. Os manifestantes confirmaram a realização da vigília cívica contra a corrupção no domingo, coordenada pela OAB.
Na última hora, a oposição ganhou adesões e teve perdas entre os deputados. Seis deputados que vinham mantendo negociações em sigilo desistiram de assinar: Romeu Queiroz (PSDB-MG), Walfrido Guia (PTB-MG), João Magalhães (PMDB-MG), Mattos Nascimento (PL-RJ), Gastão Vieira (PMDB-MA) e Antônio do Valle (PMDB-MG).
Quatro deputados do PPB-RS, que também ameaçavam assinar, recuaram: Fetter Júnior, Júlio Redecker, Luís Carlos Heinze e Telmo Kirst. Eles argumentaram que, se assinassem, enfraqueceriam o ministro Pratini de Moraes (Agricultura), do PPB, em disputa com o governo petista no Estado por causa da febre aftosa.
Dois deputados tucanos mineiros, no entanto, reforçaram o pedido. Carlos Mosconi e José Militão. Este último assinou o requerimento quando a oposição já estava no gabinete do presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA), para protocolar a CPI.
A lista pode sofrer alteração até a publicação da criação da CPI no ‘‘Diário do Congresso’’, ou seja, o governo terá até o dia 16 de maio para pressionar os congressistas a retirarem seus apoios.

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