Curitiba - O líder do Governo na Assembléia Legislativa, Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), recuou no discurso, ontem, sobre a ampliação das investigações sobre os gastos do Executivo com publicidade e propaganda.
Anteontem, Romanelli havia apresentado um requerimento para que a Comissão Especial de Investigação (CEI) - criada terça-feira passada para apurar gastos da Secretaria de Estado de Comunicação Social - também investigasse as gestões do ex-governador do Estado Jaime Lerner (PSB).
O requerimento seria colocado em votação ontem, mas Romanelli sugeriu que ele fosse retirado da pauta. Nos corredores da Casa, comentava-se que a atitude do líder do Governo teria relação com o fato de a oposição ter concordado em investigar todas as gestões, mas através da instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI).
Romanelli disse que não sabia da intenção da oposição, de criar uma CPI, e apenas voltou a afirmar que considera a CEI ''desnecessária''. ''A Comissão Permanente de Comunicação da Casa tem mais condições, estrutura, para investigar. Quero retomar a discussão com a oposição sobre a data de visita do Airton Pisseti (à frente da Secretaria de Estado de Comunicação Social). O meu requerimento foi só uma provocação para que a gente pudesse voltar à racionalidade'', disse ele.
Marcelo Rangel (PPS), presidente da Comissão Permanente de Comunicação, alega que só solicitou a abertura de uma CEI porque Pisseti se recusou a ir na Assembléia. A CEI teria poder para convocar Pisseti.
Durval Amaral (DEM) discorda de Romanelli, pois acredita que uma CEI tem ''muito mais poderes do que uma Comissão Permanente''. Amaral disse ainda que a tentativa do líder do Governo, ao sugerir a ampliação das investigações, é apenas a de ''postergar'' a instalação da CEI, mas enfatizou que a oposição está disposta a criar até duas CPIs, ''uma para a gestão Lerner e outra para a gestão Requião''.
''Se houver insistência do líder do Governo em ampliar as investigações, nós vamos propor as CPIs. Vamos ver quem vai descobrir mais equívocos'', provocou Amaral. Ele garante que a base oposicionista terá ''até mais do que 18 assinaturas'' para instalar a CPI - número mínimo obrigatório pelo Regimento Interno.
''Nós estamos dispostos a fazer a CPI do começo do mundo. Assinamos CPI do Lerner, de quem eles quiserem, desde que o atual Governo também seja investigado. Eles não vão tirar o nosso foco'', atacou o líder da Oposição, Valdir Rossoni (PSDB).
O presidente do Legislativo, Nelson Justus (DEM), assim como Romanelli, também acredita no poder das comissões permanentes da Casa, mas lembrou que o requerimento do líder do Governo - pedindo a ampliação das investigações - não está de acordo com as regras relativas a uma CEI, que obrigatoriamente deve tratar de um fato específico. ''Nós não precisamos nem de CEI, nem de CPI, pois temos as comissões permanentes. Mas concordo que a CPI é, sem dúvida nenhuma, mais eficaz para investigar todas as gestões. A CEI tem que ser pontual'', afirmou ele.
Justus informou que reunirá os líderes das legendas para tratar da instalação da CEI apenas no dia 15 de junho.

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