Agência Estado
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Deixa dissoDeputados separam briga entre Elton Rohnelt e Carlos Santana: tumulto, apitaço e sessão encerrada às pressas por Michel TemerDisposto a tudo para impedir a manobra do governo que pretendia garantir a quebra da estabilidade sem precisar colocar 308 votos no plenário, o bloco de oposição usou ontem apitos para impedir que o presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP), fosse ouvido e desse continuidade à sessão. Os deputados dos partidos de esquerda fizeram um barulho ensurdecedor e ficaram de pé sobre as mesas de votação do plenário.
Em meio ao tumulto, Temer passou o comando da sessão ao vice Heráclito Fortes (PFL-PI) e convocou uma reunião dos líderes em seu gabinete. Um pouco antes de Temer deixar o plenário, o deputado Carlos Santana (PT-RJ) postou-se à frente da bancada de votação e tentou impedir que os deputados que se encontravam na fila votassem o requerimento. O vice-líder do governo Elton Rhonelt (PFL-RR) reagiu e deu um pontapé em Santana, provocando um empurra-empurra no plenário. O deputado Agnelo Queiroz (PC do B-DF) chegou a cair, mas ninguém saiu ferido.
A bagunça e a obstrução planejadas pela oposição não impediram que o governo reunisse 318 votos a seu favor, depois de 50 minutos de protesto. Apesar dos apelos das oposições para encerrar a sessão sem votar, Temer insistia em um entendimento com os líderes partidários para decidir o futuro dos destaques da oposição, que têm sua legalidade contestada sob a alegação de que propõe a supressão de mais de um dispositivo da reforma administrativa.
‘‘Agora é guerra’’, declarou o deputado José Genoíno (PT-SP), o ideólogo do protesto (chamado de ‘‘apitaço’’), que resumiu a sessão de ontem a uma única votação, adiando a reforma para a próxima semana. Genoíno é um dos encarregados de conduzir a operação de obstrução não apenas do plenário, mas de todos os trabalhos da Câmara, incluindo aí as comissões técnicas que não funcionaram ontem. O governo obteve vitória na votação de um pedido de preferência para o destaque do PFL, que derruba a aposentadoria compulsória aos 75 anos de idade.
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que deveria iniciar a discussão da questão de ordem do líder pefelista Inocêncio Oliveira (PE) contra a oposição, acabou sendo suspensa. O nome do relator que vai apresentar parecer sobre a questão de ordem, o deputado Jairo Carneiro (PFL-BA), só foi anunciado no início da noite pelo presidente da CCJ, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), depois de todo o tumulto.
Convidado para relatar a questão de ordem, o deputado Aloysio Nunes Ferreira (PMDB-SP) recusou a missão. Ele explicou que a questão de ordem de Inocêncio para limitar a abrangência dos destaques da oposição faz sentido, mas discordou que a discussão fosse apresentada nesse momento, depois que os destaques já haviam sido acolhidos pelo presidente Michel Temer. ‘‘Concordamos tacitamente com os destaques no momento em que eles foram apresentados’’, afirmou. ‘‘Não podemos permitir destaques-ônibus, em que tudo cabe, mas também não se pode proibi-los com o ônibus andando.’

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