Oposição pretende 'barrar' pressa do Executivo
Curitiba - O líder da oposição na Assembléia Legislativa, Valdir Rossoni (PSDB), afirmou ontem que vai obstruir a pauta no plenário se a liderança do Governo insistir em ''atropelar'' o trâmite da mensagem do Executivo que pede autorização da Casa para a Copel alterar sua composição societária e participar do leilão de trechos de rodovias federais. A intenção do líder do Governo, Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), é transformar a sessão ordinária de amanhã em comissão geral, para que o projeto de lei do Executivo seja aprovado rapidamente. A pressa, admitiu ele, é por causa da data do leilão, previsto para ocorrer já no início do próximo mês.
Ao transformar a sessão ordinária em comissão geral, o projeto de lei não precisa passar pelas comissões permanentes da Casa, responsáveis pela análise prévia das matérias antes de encaminhá-las para a votação no plenário. O requerimento de Romanelli, no qual sugere a comissão geral, será votado hoje.
''Não queremos ser contra tudo, mas também não queremos ser 'bonecos'. Uma proposta polêmica assim merecia ser discutida. Quando temos um projeto de lei que cabe um amplo debate a gente aprova num dia só e depois fica dias discutindo aqui o sexo dos anjos?'', criticou Rossoni. O tucano também reclamou da falta de informação na mensagem enviada pelo Executivo. ''Quais as empresas que serão sócias da Copel? Um governo de Estado que tem dificuldade nas áreas da saúde, da educação, vai ter condições de cuidar das estradas?''
Outro alvo de críticas de Rossoni diz respeito a trechos do primeiro artigo do projeto de lei que tratam da dispensa de licitação para contratos de determinados serviços.
O presidente da Casa, deputado Nelson Justus (DEM), reconheceu que as lideranças da Casa deveriam ''se mobilizar para fazer um debate'' antes da votação. ''Acho que o Executivo pode participar do leilão, mas desde que tenha recursos. Mas também compete ao governo do Estado estabelecer suas prioridades'', opinou.
Romanelli disse que no projeto de lei não precisa constar ''o impacto financeiro'' da proposta. ''Não são recursos do Orçamento porque quem vai competir é a Copel Participações S.A.'', explicou ele. Pela mensagem, a Copel pode ser sócia majoritária ou minoritária ao estabelecer a parceria.
(Catarina Scortecci/Equipe da Folha)





