Brasília - A oposição vai cobrar da base aliada governista no Congresso a votação do veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Orçamento de 2010 que liberou quatro obras da Petrobras consideradas irregulares pelo Tribunal de Contas da União (TCU).
Irritados com a retirada das obras da lista de irregularidades do tribunal, os oposicionistas prometem obstruir a votação no plenário da Câmara se o veto de Lula não for colocado em votação rapidamente.
Atualmente, há 550 vetos presidenciais à espera de votação no plenário do Congresso, que não tem como hábito acelerar a votação dos vetos. Desta vez, porém, a oposição diz estar disposta a obstruir votações importantes na Câmara, como projetos do pré-sal, caso os governistas retardem a análise do veto.
O líder do DEM na Câmara, deputado Ronaldo Caiado (GO), disse ontem em sua página do Twitter que vai haver ''obstrução total'' se o veto não for analisado. Em conversa com o novo líder do governo na Câmara, Candido Vaccarezza (PT-SP), Caiado fez a ameaça.
''Lula desrespeitou o Congresso Nacional ao vetar um acordo em plenário de excluir as obras irregulares da Petrobras. E o novo líder do governo disse que foi um direito constitucional. Vamos fazer assim, Vaccarezza: é só colocar o veto para apreciação no plenário do Congresso Nacional. Caso contrário, é obstrução total!'', afirmou Caiado no microblog.
Vaccarezza não se manifestou sobre as ameaças da oposição. Nos bastidores, os governistas se articulam para retardar a análise do veto, já que há mais de 500 à espera da análise do Congresso Nacional. Os vetos têm que ser votados em sessão conjunta da Câmara e do Senado, o que dificulta a sua análise.
Ao sancionar o Orçamento Geral da União de 2010, o presidente Lula liberou obras da Petrobras consideradas irregulares pelo TCU. Lula vetou parte da peça orçamentária e retirou as obras da Petrobras de uma lista de irregularidades, como as das refinarias Abreu e Lima (PE) e Presidente Getúlio Vargas (PR), do terminal de escoamento de Barra do Riacho (ES) e do Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro).
O veto diz que parte dos contratos das obras vetadas já apresentam ''90% de execução física e sua interrupção gera atraso no início da operação das unidades em construção, com perda de receita mensal estimada em R$ 577 milhões, e dificuldade no atendimento dos compromissos de abastecimento do país com óleo diesel de baixo teor de enxofre''.
Em defesa do veto, o ministro Alexandre Padilha (Relações Institucionais) disse que a decisão do presidente foi tomada após apelo de empresários, governadores e parlamentares do governo e da oposição que integram a Comissão de Orçamento do Congresso.

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