Oposição prepara plataforma para 98
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segunda-feira, 25 de agosto de 1997
Agência Estado Rio de Janeiro 
Agência Estado
(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)Linha de açãoGarcia, Braga, Barbosa e Mercadante: comissão interpartidária prega desenvolvimento solidário, democratização e política internacionalO programa que vai unir a campanha do PT, PDT, PC do B e PSB à Presidência da República, em torno de um candidato único - Luiz Inácio Lula da Silva, provavelmente -, propõe a criação de um imposto para as empresas privatizadas, nos moldes do que o primeiro-ministro Tony Blair criou na Inglaterra. O plano prega ainda a formação de um modelo econômico solidário - um novo nome para uma proposta que privilegie os chamados excluídos da sociedade, e não a estabilização monetária.
Numa reunião realizada ontem na sede do PSB, no Rio de Janeiro, a comissão interpartidária encarregada de produzir o documento deu mais alguns retoques no texto que deverá ser apresentado, em meados de setembro, às direções partidárias e a entidades como Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e Central Única dos Trabalhadores (CUT). Descobrimos tantos pontos em comum que está sendo mais fácil fazer esse texto do que o do PT, brincou o secretário de relações internacionais do PT, Marco Aurélio Garcia.
Além de Marco Aurélio, o ex-deputado Aloizio Mercadante representou o partido. Pelo PDT, compareceram o ex-deputado Vivaldo Barbosa e o presidente do Conselho Nacional de Educação, Hésio Cordeiro; pelo PSB, o ex-prefeito do Rio, Saturnino Braga, e pelo PC do B, o deputado Sergio Miranda e o dirigente Renato Almeida. Segundo Mercadante, o programa está montado em três eixos: o desenvolvimento econômico solidário, a democratização da sociedade e do Estado e a presença soberana do Brasil na política internacional.
Fizemos um diagnóstico crítico da situação no País, e propusemos alternativas como a reforma agrária, o orçamento participativo e um programa de bolsa-escola, como o que existe em Porto Alegre, enumerou Mercadante. A próxima reunião, na qual deve ser fechado o texto definitivo, acontece em 17 de setembro, na sede do PC do B, em Brasília.
O documento vai circular também nas bases partidárias e sindicatos - e pode ainda servir para os acordos políticos da frente das oposições. Embora a comissão não tenha como tarefa chamar outros partidos para a frente, há a expectativa de que o programa possa agregar assinaturas de nomes como o do deputado Roberto Freire (PPS-PE) ou do ex-ministro Ciro Gomes, em crise no PSDB. Estamos fazendo um programa para ganhar as eleições e, por isso, embora não reflita todas as opiniões dos partidos que compõem a frente, deve ter capacidade de atrair adesões, ponderou Marco Aurélio Garcia.


