A retomada do crescimento econômico, o estímulo à poupança interna e a revisão da política cambial são as principais propostas para a economia de uma plataforma comum para as eleições de 1998 que quatro partidos de oposição - PT, PDT, PCdoB e PSB - pretendem divulgar na próxima semana. A reforma agrária e o incentivo às microempresas são apontados como essenciais para a conquista de maiores índices de crescimento. A educação e a geração de empregos foram apontadas como prioridades no programa das oposições.
‘‘Precisamos refundar a estabilidade da economia em novas bases’’, sustentou o economista Aloízio Mercadante (PT), integrante do grupo de trabalho criado pelos quatro partidos para elaborar a plataforma única. ‘‘Temos de adotar uma política econômica que permita ao País crescer em ritmo bem superior ao atual’’, defendeu Mercadante.
O economista previu que um eventual governo dos quatro partidos teria de promover uma ‘‘transição muito delicada’’ na política cambial. Segundo estimativas feitas pelos integrantes do grupo, a defasagem da relação entre o real e o dólar encontra-se em torno de 20%. A política cambial atual é apontada como responsável pela transformação de um superávit comercial de US$ 15 bilhões, em 1993, em um déficit comercial previsto para este ano de US$ 12 bilhões. ‘‘O próximo governo receberá uma herança pesada, marcada pela fragilidade cambial, pelo endividamento público e pelo alto desemprego’’, afirmou Mercadante.
As experiências realizadas até agora pelos novos governos de centro-esquerda na França e na Grã-Bretanha serviram de inspiração às propostas eleitorais para 1998 elaboradas pelo grupo de trabalho dos quatro partidos de esquerda. Eles adotaram a idéia do primeiro-ministro francês Lionel Jospin de incentivar a oferta de empregos para os jovens que chegam ao mercado de trabalho. Da experiência do primeiro-ministro britânico, Tony Blair, os quatro partidos buscaram a proposta de criação de um imposto sobre lucros extraordinários, especialmente sobre as empresas privatizadas.
Imposto- A reorganização tributária tem lugar de destaque na plataforma de oposição para 98. ‘‘Queremos uma reforma abrangente’’, anunciou Aloízio Mercadante. Entre as mudanças imaginadas pelos partidos está a criação de um imposto sobre grandes fortunas - que chegou a ser sugerido pelo presidente Fernando Henrique Cardoso quando era senador - e de um imposto federal sobre a herança.
A reforma tributária, segundo o grupo de trabalho, tem de ser um caminho para o aumento da poupança interna. Outra iniciativa com essa finalidade, de acordo com Mercadante, seria a realização de uma reforma da Previdência Social. Ele recordou que, mesmo contando com a participação de apenas 2,9 milhões de pessoas, os planos de aposentadoria complementar já contam atualmente com um patrimônio de R$ 73 bilhões.

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