Oposição prepara manifesto
Agência Estado
De Porto Alegre
A oposição lançará um manifesto à Nação em até 30 dias. Ele conterá algumas das coisas que entendemos como principais necessidades para o povo brasileiro, especialmente na questão do emprego, do crescimento da economia e da distribuição de renda, afirmou ontem, em Porto Alegre, o presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva. Nem ele nem o presidente nacional do PT, José Dirceu, quiseram antecipar o conteúdo do documento. Conforme Lula, o manifesto será firmado pelos partidos de oposição e personalidades da sociedade civil.
Ele está em fase final de acabamento e, em 20 ou 30 dias, estará pronto, disse Lula. O líder petista explicou que o texto servirá como instrumento de trabalho para os partidos, sindicatos, movimento estudantil, proporcionando uniformidade ao discurso da oposição. O manifesto deveria ser um dos assuntos na conversa das lideranças nacionais do partido ontem com o governador gaúcho Olívio Dutra (PT). Dirceu afirmou que a proposta representará uma alternativa não para a esquerda mas para a sociedade.
Ou o Brasil volta a crescer, gerar riqueza e distribuição de renda ou caminhamos para o caos, disse Lula. Se o Fernando Henrique Cardoso andasse pelo Brasil iria perceber que a insatisfação é ainda muito maior, avaliou, referindo-se à Marcha dos 100 Mil, que definiu como um sucesso extraordinário. E prosseguiu: Não é insatisfação de desempregado, de gente que mora debaixo da ponte. É insatisfação coletiva, de pequenos e médios empresários, de produtores rurais de quem trabalha no comércio, de toda a sociedade.
Segundo ele, as oposições conseguiram provar que são capazes de fazer um protesto na cara do governo e uma coisa muito pacífica. Indagado sobre o pedido de renúncia de FHC, reiterou que o presidente não possui humildade para isso. Eu não faço parte, nem o meu partido, daqueles que pedem a renúncia, disse, lembrando que as oposições entregaram ao presidente da Câmara, Michel Temer, um abaixo-assinado que pede a instalação de uma CPI para investigar a venda da Telebrás e o enquadramento de FHC em crime de responsabilidade.





