Brasília - Os partidos de oposição decidiram ontem pedir abertura de CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) mista no Congresso para investigar a Petrobras. Liderados pelo senador Aécio Neves (PSDB-MG), pré-candidato do PSDB à Presidência, os oposicionistas vão buscar apoio de deputados e senadores governistas para que a comissão seja instalada. A ideia do PSDB, DEM, PPS e Solidariedade é reunir as 27 assinaturas necessárias no Senado e as 171 na Câmara para que a CPI seja mista, com deputados e senadores. Se a comissão mista não se viabilizar, a oposição vai tentar criar comissões de inquérito separadas, uma em cada Casa Legislativa. Os oposicionistas precisam do apoio de governistas para viabilizar a CPI porque, sozinhos, não têm número mínimo de congressistas para criar a comissão.
Em ano eleitoral, a oposição quer instalar a CPI para investigar a compra da refinaria de Pasadena (EUA) pela Petrobras, em 2006. Na época, a presidente Dilma Rousseff era presidente do Conselho de Administração da estatal e avalizou o negócio. Em nota, Dilma disse que se baseou em um parecer "falho" e com informações "incompletas" para aprovar a compra da refinaria. O responsável pelo parecer, o ex-diretor da área internacional da Petrobras Nestor Cerveró, foi afastado do cargo que ocupava na BR Distribuidora na última sexta-feira.
Em março de 2008, quando foi exonerado da diretoria internacional da Petrobras, Cerveró recebeu elogios do conselho de administração da estatal, que foram registrados em ata. No documento, de número 1.301, o conselho de administração da estatal diz que "resolveu consignar em ata os agradecimentos do colegiado ao diretor que ora deixa o cargo pelos relevantes serviços prestados à companhia, ressaltando sua competência técnica e o elevado grau de profissionalismo e dedicação demonstrados no exercício do cargo".
A compra da refinaria é investigada pelo Tribunal de Contas da União, Ministério Público do Rio e pela Polícia Federal. A principal polêmica é o preço do negócio: US$ 1,18 bilhão pela unidade que havia sido, em 2005, comprada pela belga Astra Oil por cerca de US$ 42 milhões. A belga tem entre seus executivos um ex-funcionário da Petrobras.

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