Brasília - As novas denúncias contra o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, fizeram com que os partidos de oposição pedissem a sua saída do cargo. O líder do PSDB no Senado, senador Artur Virgílio (AM), disse que Meirelles perdeu a condição de guardião da moeda e que a esta altura não tem mais o que explicar ao Congresso. ''A autoridade dele já está corroída'', disse Virgílio. O deputado Jutahy Júnior (PSDB-BA), vice-líder do partido na Câmara, considerou a situação do presidente do Banco Central ''insustentável''. ''Temos um presidente do Banco Central sob suspeita permanente'', disse.
A situação de Meirelles acabou abrindo uma pesada troca de acusações entre tucanos e governistas. O líder do governo na Câmara, Professor Luizinho (PT-SP), reagiu à nova denúncia contra Meirelles acusando o PSDB de querer desestabilizar o país. Segundo Luizinho, o PSDB tem o controle da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Banestado e divulga parte de informações para construir uma versão desfavorável a Meirelles. ''Estão brincando com o perigo. Querem criar confusão para melar o crescimento econômico que o país já está vivendo'', disse Luizinho.
O líder afirmou que o PSDB controla também setores do Banco Central, do Banco do Brasil e da Polícia Federal e que, por meio da CPI do Banestado, tem vazado documentos que são parte da história. ''É uma atitude organizada, orquestrada. Estão namorando com o perigo. É muita irresponsabilidade'', afirmou.
Em troca, os tucanos insinuam que os próprios petistas seriam os responsáveis pelo vazamento das denúncias. Artur Virgílio disse que se as informações partiram de setores do PT para desestabilizar o presidente do BC, seria uma burrice. ''Isso me cheira uma guerra dentro do próprio PT pelo controle da política econômica. Seria burrice tentar desestabilizar Meirelles pois viria um substituto seguindo a mesma orientação porque o Palocci não vai se enfraquecer'', afirmou.

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