Brasília - A oposição apresentou ontem requerimento à Mesa Diretora do Senado para que a Casa solicite auditoria ao Tribunal de Contas da União (TCU) nos recursos aplicados pela Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo (Bancoop). De autoria do senador Alvaro Dias (PSDB-PR), o requerimento pede que o TCU investigue a aplicação de recursos dos fundos de pensão Previ (Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil), Funcef (Fundação dos Economiários Federais) e Petros (Fundação Petrobrás de Seguridade Social) na cooperativa, acusada de desvios de recursos com a suposta participação do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto.
''Com o objetivo de preservar os recursos públicos aplicados pela União nos fundos de pensão, solicitamos que seja realizada auditoria para analisar a transparência da aplicação financeira das entidades de previdência pública já citadas na Cooperativa Habitacional dos Bancários'', afirmou Alvaro.
Segundo o tucano, o Ministério Público de São Paulo identificou ''milhares de movimentações financeiras fraudulentas'' na cooperativa que tinham como objetivo ''ludibriar os cooperados que aplicavam suas economias em empreendimentos imobiliários''.
Para o senador Heráclito Fortes (DEM-PI), o governo federal tenta ''jogar para baixo do tapete'' escândalos que envolvem pessoas ligadas ao PT. ''Ninguém tem nenhuma dúvida do uso partidário, do uso político, dos recursos, das organizações não-governamentais por parte de setores da vida partidária brasileira que procuram a maneira mais fácil de irrigar as suas movimentações político-partidárias e sempre recorrem a essas cooperativas ou a esses organismos não-governamentais'', afirmou.
Presidente da CPI das ONGS, Heráclito disse que vai tentar reunir a comissão para discutir o caso Bancoop. O democrata defendeu a quebra do sigilo da Bancoop para a investigação das denúncias.
Em defesa do governo, o senador Paulo Paim (PT-RS) disse que se houver indícios de irregularidades, o caso deve ser investigado. ''Se houve um fato, um delito condenado pela sociedade, que se investigue, não importa o partido, e que se coloque na cadeia como fizeram em Brasília'', afirmou.
O promotor José Carlos Blat, do Ministério Público de São Paulo, investiga o suposto esquema de desvio de verba da Bancoop que teria a participação do tesoureiro do PT. De acordo com reportagem da revista ''Veja'' desta semana, o promotor analisou mais de 8 mil páginas de documentos do processo que envolve o desvio de recursos e concluiu que a direção da Bancoop movimentou R$ 31 milhões em cheques para a própria cooperativa. Esse tipo de movimentação é uma forma de não revelar o destino do dinheiro.
Segundo a denúncia, dirigentes da cooperativa teriam criado empresas fantasmas que prestavam serviços superfaturados e faziam doações não contabilizadas ao PT. Para Blat, há indícios de caixa dois, uma vez que os recursos repassados ao partido não constam dos registrados da Justiça Eleitoral.
Alvaro Dias apresentou um segundo requerimento para que Blat seja convidado a depor na Comissão de Constituição e Justiça do Senado para falar sobre as denúncias.
O presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, deputado Barros Munhoz (PSDB), assinou ontem documento para a instalação da CPI da Bancoop. A comissão investigará denúncias da existência de um esquema de desvio de dinheiro da cooperativa para campanhas eleitorais do PT.

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